Archive for 13 de julho de 2018

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A importância da prescrição médica no tratamento da obesidade usando remédios

julho 13, 2018

obesidade é uma doença cada vez mais frequente entre os brasileiros: o Ministério da Saúde identificou que o número de casos aumentou 60% entre 2006 e 2016. Apesar do crescimento, ainda há certa resistência e falta de conhecimento dos pacientes sobre o tratamento com medicações para emagrecer com saúde e sobre a importância de utilizá-los conforme a prescrição médica.

Perda de peso permite reduzir risco de diabetes e hipertensão

Para compreender seu tratamento de uma maneira melhor, você deve conversar com o profissional de sua confiança sobre o quanto conseguirá emagrecer. “Muitos pacientes têm pretensões inatingíveis e não aderem ao tratamento por não ficarem satisfeitos com a perda de peso obtida”, afirma a endocrinologista Daniele Zaninelli.

No entanto, eliminar apenas 5% ou 10% do peso do seu corpo já representa uma diminuição significativa dos riscos de complicações da obesidade. É o caso do diabetes e das doenças cardiovasculares. Muitos desses benefícios serão vistos apenas no longo prazo, mas você não deve desanimar porque certamente os resultados serão positivos.

Tratamento da obesidade deve continuar mesmo depois da perda de peso

Depois que o emagrecimento for percebido, não pense em jogar os remédios fora. O tratamento deve continuar para evitar que você volte ao peso anterior. “O período que se segue à perda de peso, ou seja, a fase da manutenção, exige os mesmos esforços e cuidados da fase inicial, incluindo cuidados alimentares, exercícios físicos e, frequentemente, a continuidade do uso de medicamentos”, explica a especialista.

Procure sempre ouvir a opinião do seu médico. Cada organismo reage de uma maneira a um tratamento proposto e, por isso, é importante que vocês conversem sobre suas necessidades específicas e dúvidas, a fim de que o tratamento seja o mais eficaz possível.

Dra. Daniele Zaninelli é endocrinologista formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e atua em Curitiba. CRM-PR: 16876

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TESE DE DOUTORADO AFIRMA QUE 8 EM CADA 10 BRASILEIROS CONSULTA A INTERNET ANTES DE IR AO MÉDICO

julho 13, 2018

Nessa tese de doutorado da Universidade de Brasilia a Dra Emilia Vitória da Silva deixou bem claro que os interesses da Internet são primeiramente econômicos antes do que divulgadores de informações verdadeiras. De modo que consultar a internet para saber sobre seus problemas de saúde dificilmente alcançará seus objetivos. Toda informação não deve vender produtos, não indicar tratamentos preferenciais sobre o outro e, principalmente, o profissional que escreveu o artigo deve deixar seu nome, seu telefone, email e seu curriculo para verificar a veracidade das informações.

Não caia no mito de revisar a internet antes ou depois de visitar seu médico. Se internet fosse boa para a saúde não precisaria de médicos nem de remédios.

visite a tese de doutorado na íntegra: http://www.cff.org.br/userfiles/file/Tese%20FINAL%20Entregue%20a%20UnB.pdf

 

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A OBESIDADE E SEU TRATAMENTO FARMACOLÓGICO

julho 13, 2018

A obesidade e seu tratamento farmacológico

Dra Emilia Vitoria da Silva

A obesidade é, hoje, um dos mais graves problemas de saúde pública, e deixou de ser
uma questão de natureza estética para tornar-se importante fator de risco para inúmeras
doenças que comprometem a saúde do homem contemporâneo. É uma condição crônica que é
associada a morbidade e mortalidade significantes.
No contexto mundial, 300 milhões de pessoas são obesas e 800 milhões estão com
sobrepeso (83). No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
revelam que 8,9% e 13,1% dos homens e mulheres adultos, respectivamente, são obesos (84),
o que é suficiente para observar que é uma doença de alta prevalência.
A obesidade é definida como excesso de gordura em relação ao tecido magro corporal,
e, em humanos, é o resultado de interações entre fatores ambientais e genéticos. A
alimentação incorreta e a falta de atividade física são agravantes do problema; também pode
ser secundária a doenças neuroendócrinas, à cirurgia hipotalâmica ou ao uso de
medicamentos, por exemplo, glicocorticoides, antidepressivos tricíclicos, lítio, fenotiazinas,
ciproeptadina, medroxprogesterona, entre outros. A obesidade também pode ser de origem
genética – associada a alterações cromossômicas ou mutação genética (85).
Apesar de não aumentar diretamente a mortalidade da população, a obesidade
predispõe a uma série de doenças secundárias (diabetes melito tipo 2, hipertensão, doenças
coronarianas, hipercolesterolemia, osteoporose do joelho, dores lombares, doença de refluxo
gastroesofágico, gota e apneia do sono) que elevam a morbidade dos indivíduos e diminuem
sua expectativa e qualidade de vida. Além destas doenças, estudos relacionam obesidade com
câncer e doenças cardiovasculares (85, 86). Existe, ainda, significante estigma psicossocial
associado ao “estar obeso” (83).
Para o diagnóstico da obesidade, é calculado o Índice de Massa Corpóreo (IMC),
também conhecido como Índice de Quetelet, que é a divisão direta do peso corpóreo, em
quilogramas, pela altura, em metros, elevada ao quadrado. O indivíduo é considerado obeso
quando seu IMC é igual ou maior que 30. Se o IMC estiver entre 25 a 29,9 Kg x m-1
, o
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paciente é considerado com sobrepeso (85). O padrão da distribuição da gordura também é
um fator prognóstico importante, o qual é medido pela circunferência da cintura. De fato, esta
medida de adiposidade central é mais fortemente associada a risco cardiovascular que o IMC,
principalmente em idosos (83).
A abordagem terapêutica para a obesidade consiste em tratamento não farmacológico,
farmacológico e cirúrgico. A primeira abordagem é a principal e deve estar presente em
qualquer tipo de tratamento. Consiste em reeducação alimentar, mudança de comportamento e
atividade física regular, ou intensificada, quando se deseja maior perda de peso.
O tratamento farmacológico é utilizado nos pacientes com IMC igual ou maior que 30
kg x m-1 ou acima de 27 kg x m-1, quando o sobrepeso é associado a comorbidades, como
hipertensão, hipercolesterolemia, diabetes melito tipo 2 ou osteoartrite de joelho. Contudo,
reeducação alimentar, exercício físico e mudanças de comportamento devem estar sempre
presentes (83).
Os fármacos prescritos para perda de peso podem ser divididos em duas categorias:
inibidores da lípase pancreática (absorção intestinal de gorduras) e supressores do apetite;
estes últimos podem ser subdivididos com base nos neurotransmissores afetados.
Os principais fármacos usados no tratamento da obesidade são descritos na Tabela 1
(85, 87, 88).
Tabela 1. Descrição sumária dos principais fármacos usados no tratamento da obesidade
Ação terapêutica Fármaco(s)
Inibição da lípase pancreática e diminuição da
absorção de gorduras.
Orlistato
Inibição da recaptação da serotonina e
noradrenalina.
Sibutramina
Supressão do apetite por estimulação do
Sistema Nervoso Central (SNC), mais
especificamente o centro hipotalâmico da
fome; com a liberação das catecolaminas.
Anfepramona,
mazindol,
femproporex
Inibidores da recaptação da serotonina. Fluoxetina (*)
(*) – Utilizado em pacientes obesos que também apresentam depressão ou com desordens alimentares (bulemia
ou anorexia).
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De um modo geral, a efetividade da farmacoterapia para o tratamento da obesidade
não é clara. A perda de peso é modesta, 5 kg ou menos em um ano e não há um medicamento
que seja mais efetivo que outro. Não obstante esta baixa efetividade, a perda de peso ponderal
de 5 a 10% é associada à redução de risco para doenças crônicas citadas como consequência
da obesidade (85).
As cirurgias bariátricas devem ser reservadas àqueles casos de obesidade mórbida.
No entanto, apesar dos riscos inerentes à obesidade, o que preocupa, notadamente, o
paciente é mais a busca do corpo perfeito – como padrão de beleza estético – e menos uma
vida saudável. Na preocupação insensata pelo corpo que atenda às exigências da sociedade de
consumo atual, muitas pessoas perdem o discernimento para analisar o que é lógico, o que é
correto e, principalmente, o que é baseado em evidências.
Um bom exemplo para ilustrar este quadro é o uso indiscriminado de tiratricol, um
hormônio tiroideano, cuja única indicação é o câncer de tireoide não responsivo à
levotiroxina, em fórmulas manipuladas para emagrecimento, mesmo sem nenhuma evidência
de sua efetividade (86).
Além do uso irracional de medicamentos, há uma tendência dos pacientes em buscar
informações em recursos não-médicos como páginas da Internet, o que pode ser comprovado
pelo aumento do número de sítios que divulgam dados sobre tratamento da obesidade (89).
Por ser uma condição estigmatizante e que causa constrangimento, o anonimato
proporcionado pela Internet pode contribuir para que estes pacientes procurem informações
por este meio (31), principalmente aqueles que se frustraram com tratamentos anteriores.
Prova disso é que a perda de peso é um dos temas mais procurados em páginas da Internet,
dentre os assuntos da área da saúde (21).
Adicionalmente, Hwang et al. (90) afirmam que os conselhos relacionados a
medicamentos para perda de peso são mais prováveis de serem errôneos e potencialmente
danosos que os de outra natureza.
Por ser uma doença de alta prevalência, por aumentar a morbidade dos pacientes e
contribuir para mortalidade, pelo sobreuso dos fármacos usados no seu tratamento e ao
potencial de disseminação de informações divergentes dos protocolos e diretrizes pela rede
mundial de computadores, escolheu-se o tratamento farmacológico da obesidade como tema
específico para avaliar a qualidade de páginas da Internet.