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PORQUE VOLTAMOS A ENGORDAR?

setembro 4, 2012

PORQUE VOLTAMOS A ENGORDAR?

Dr. Henri Bischoff M.D.

 

   Por que voltamos a engordar após o término de um tratamento de emagrecer?

            A meu ver, por dois motivos:

            1º) O principal fator que leva o gordinho a procurar o médico é a questão estética. Diferente de outros problemas, a obesidade é uma questão “aparente” –  que extravasa a privacidade do indivíduo que é confrontada por exigências estéticas, familiares, físicas (porque compromete a habilidade de realizar movimentos), sociais e, por fim, de saúde se o problema não for controlado a tempo de evitar as numerosas doenças bastante conhecidas decorrentes do excesso de peso.

            Emagrecendo, o “novo magro” encontra a paz em muitos setores de sua vida; sua saúde melhora, sente-se mais ágil, pára de receber críticas a respeito de sua aparência inestética e sua auto-estima cresce de modo que, ao assumir a aparência de magro, o gordo sente que alcançou seu objetivo e pensa que, enfim, poderá retornar à  vida “normal”.

Ele, então, volta a engordar…

            A vida normal do gordo, porém, não é a vida normal de uma pessoa magra que nunca encontrou problemas em controlar peso.  O magro não sofre de uma doença como ele. O “novo” magro continua a sofrer com a compulsão alimentar, a ansiedade incontrolável que busca na comida a fonte de satisfação de seu dia. Portanto, é justamente à noite, ao chegar em casa, lugar de relaxamento que ele, extenuado de sua rotina diária, sente-se incapaz de controlar a sua doença: a ansiedade voraz por comida que é a compulsão alimentar. O gordo sente-se impelido a ingerir farináceos e doces ( alimentos de fácil digestão) para que a sua satisfação se faça mais rápida.

            Essa doença compulsiva que leva uma pessoa comer de forma exagerada carboidratos é o que, em minha prática médica, costumo chamar de “o neurônio compulsivo do obeso”, responsável pela causa da doença restando, como conseqüência obesos com gorduras exageradas.

            Ora, verifica-se que o objetivo que leva o obeso a procurar ajuda médica para emagrecer acabar por ser mal compreendido pelo paciente. O foco de atenção NÃO DEVERIA SER O CONTROLE ADEQUADO DO PESO! Embora esta seja a variável a ser controlada na medição do tratamento, mas sim o foco de atenção deveria ser O CONTROLE DO NEURÔNIO COMPULSIVO- causa e detonador do comer compulsivo.

            De modo que, ao perder a barriga e a gordura localizada, o paciente tem a falsa impressão de que o tratamento está acabado e alcançou seu objetivo.

Ao se atingir o peso ideal as pessoas não entendem que o momento de se parar a medicação NÃO é logo em seguida ao se atingir o emagrecimento mas sim 2 anos após o emagrecimento porque o organismo necessita 2 anos para esquecer o peso de gordo e gravar o peso de magro. Sem isso é quase impossível obtermos sucesso a longo prazo num programa de emagrecimento. O corpo precisa desse tempo para obter sucesso e permanecer magro a longo prazo. Portanto, se você quiser permanecer magro a longo prazo se proponha desde o início do tratamento a fazer manutenção medicamentosa por 2 anos caso contrário você não obterá sucesso e tudo será em vão.

Então pergunto: pode o neurônio compulsivo ser considerado curado?

            2º) Sendo a obesidade parte das doenças compulsivas como álcool, drogas, tabaco, jogo, etc, ela é mais difícil de ser tratada, pois o objeto de desejo do obeso é o carboidrato (que não é droga) que não pode ser eliminado totalmente como o álcool, drogas, tabaco, etc. Daí a grande dificuldade de tratamento, pois ao não poder eliminar totalmente o carboidrato ( a “droga” do obeso viciado) – como mandá-lo comer, mas comer “pouquinho”? Seria a mesma coisa que dizer a um alcoólatra beber, mas beber “pouquinho”… Um viciado em crack fumar, mas fumar “pouquinho”…

            Essa é a verdadeira angústia pela qual padece a esmagadora maioria dos obesos. E assim, a sociedade os recrimina, sem compaixão, dizendo coisas como: “vais criar vergonha na cara e feche a sua boca!” ou o profissional de saúde fica frustrado quando o paciente obeso retorna ao consultório 2 kg mais gordo por não haver conseguido executar sua “brilhante” dieta de 1200 kcal somente com força de vontade e exercícios. É quase impossível para um obeso compulsivo executar dietas sem ajuda medicamentosa.

            Assim, em nossa experiência, temos notado que uma forma promissora de manter a obesidade controlada em seus aspectos compulsivos é com o auxilio de medicamentos como base da terapia e restrição de carboidratos após as 14 horas permitindo ao paciente manter um peso estável, livre de compulsões, adequação social, integração familiar com uma vida plena e feliz.

            A complementação com exercícios físicos sempre será bem vinda se a agenda do paciente assim o permitir. Porém, a terapia medicamentosa e a restrição ao carboidrato após as 14 horas deverão ser a base da terapia em longo prazo, pois são factíveis para todos os pacientes, sem exceções.

            Outro aspecto a ser salientado é o realce que foi dado à necessidade de medicamento na terapia ao obeso compulsivo a longo prazo. No entanto não falamos de propósito, em nenhum nome medicamento. Por quê? Pelo simples fato de que, até o presente momento não haver nenhum medicamento que seja o ideal, ou que preencha todas as condições ideais: ausência de efeitos colaterais, diminuírem a compulsão, tirar a fome, queimar a gordura, uso a longo prazo, etc… Estamos longe disso. No entanto, ruim com o que temos, pior sem essas alternativas. Assim seguimos esperando dias melhores e aguardando os avanços da medicina e dos cientistas. Pensem nisso e vamos em frente!

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