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OBESIDADE E EMAGRECIMENTO – perguntas e respostas

junho 20, 2008

DR HENRI FERNANDO BISCHOFF

Anestesiologista – CREMESC 6284 – CREMERS 18265

Professor do Curso de Pós- Graduação em Medicina Estética  pela UIME – Porto Alegre – RS

Mestrando em Educação – CAPES 2006

1) Necessito realizar uma cirurgia plástica, mas, como sou obeso (a) meu cirurgião me recomendou realizar um emagrecimento prévio para diminuir meus riscos cirúrgicos e melhorar o resultado de minha cirurgia. Que riscos são esses?

A obesidade é uma doença definida pela Organização Mundial de Saúde – OMS como o acúmulo excessivo de gordura (tecido adiposo) no indivíduo. Sendo doença, necessita tratamento médico. Todo paciente obeso que necessite realizar uma cirurgia eletiva (não urgente) deve realizar emagrecimento prévio para minimizar seus riscos cirúrgicos.

O paciente obeso possui mais gordura em seu pescoço, o que dificulta o momento da entubação oro – traqueal ou naso-traqueal para a realização da anestesia geral, pela pouca flexibilidade da cabeça no momento da mesma. Esses pacientes, em geral, são mais roncadores e isso diminui a oxigenação sangüínea na sala de recuperação provocando maior risco de hipertensão arterial e, até mesmo, infarto do miocárdio. A chance de problemas respiratórios pós-operatório é maior nos pacientes obesos. Pelo peso da gordura no tórax, o pulmão ventila menos ocasionando atelectasias, que são zonas de pulmão murchas, não ventiladas e que se colabam, grudando umas nas outras aumentando o risco de acúmulo de secreções que podem ocasionar infecção pulmonar (pneumonia) pós-operatória hospitalar de difícil controle.

Muitos pacientes obesos têm seus pulmões comprimidos pelo excesso de peso (Síndrome de Pick-Wick) e respiram com maior dificuldade mesmo na sua vida cotidiana e, obviamente, têm mais complicações cirúrgicas do que aqueles que respiram normalmente.

A hipertensão arterial, outro problema agravado pela obesidade, deve ser monitorizada em todo o trans-operatório e pós-operatório pelo anestesiologista. Com pressão alta, o paciente obeso sangra mais durante o ato cirúrgico, o que dificulta o trabalho do cirurgião e, também, pode aumentar o risco de complicações cardíacas e renais durante o ato cirúrgico. Com a diminuição do peso pré-operatório, a grande maioria dos pacientes estabiliza seus níveis pressóricos e realizam sua cirurgia de maneira tranqüila sem intercorrências.

A diabete tipo II é outra doença associada à obesidade. O paciente obeso e diabético representa um problema bastante sério para o anestesiologista. Esse paciente possui risco maior de infecção hospitalar pós-operatória, de cicatrização demorada da ferida operatória com aumento do número de deiscências (abertura dos pontos) e de morte súbita. O manejo pré-operatório do peso do paciente diabético através do emagrecimento reduz, drasticamente, a chance de complicações por diabete tipo II.

A associação dessas 3 patologias (obesidade, hipertensão e diabete) em um único paciente é chamada de Síndrome Metabólica e produz altíssimo risco coronariano de infarto do miocárdio ou AVC- acidente vascular cerebral (derrame).

Ficar deitado por um tempo maior do que o habitual (decúbito prolongado) é complicado para os obesos que necessitam operar-se. Esses pacientes, por suas características, têm um retorno venoso do sangue até o coração dificultado pelo excesso de peso, com isso, o paciente que necessita ficar deitado na cama para realizar cirurgia apresenta maior risco de trombose venosa profunda com formação de êmbolos (coágulos sangüíneos). Esses coágulos se desprendem das pernas passando pelo coração até chegar aos pulmões, entupindo uma das artérias pulmonares ocasionando a temida embolia pulmonar que, se for muito extensa, pode provocar morte súbita.

Outra dificuldade para os obesos e que muitas vezes é esquecida, é o fato de o paciente obeso apresentar maior dificuldade para venóclise (pegar veia) para instalação de soro endovenoso. Se não for possível o acesso a uma veia periférica, o anestesiologista necessita puncionar uma veia central e instalar um equipamento chamado intra-cat que perfunde o soro diretamente no coração. A instalação de um cateter central tem maior risco de provocar infecção do que um cateter periférico.

Por fim, vale ainda lembrar que, todo paciente obeso que não necessite realizar anestesia geral possui uma dificuldade maior para realizar anestesias loco – regionais como a raquianestesia ou a anestesia peridural. Esses pacientes, por apresentarem muita gordura nas costas possuem um espaço intervertebral mais reduzido dificultando a passagem da agulha ou do cateter.

2) Ok! Emagrecendo eu diminuo meus riscos cirúrgicos, mas quais são os benefícios para o resultado de minha cirurgia plástica?

Emagrecer melhora muito os resultados de uma cirurgia plástica. As pacientes que irão realizar cirurgia dos seios, como redução de mamas ou implante de prótese de silicone define, após o emagrecimento, o tamanho real e possível que pode ser atingido pelo paciente magro, restando ao cirurgião diminuir ou aumentar, conforme o caso, o tamanho da mama desaparecendo o risco de ficar maior ou menor do que o previsto devido ao peso excessivo.

Para os pacientes que irão realizar lipoaspiração é o mesmo caso: o emagrecimento melhora muito a redução das gorduras localizadas restando somente gordura que realmente está em excesso naquela região específica. Por exemplo, se a cirurgia a ser realizada é lipoaspiração de culotes: a redução de peso prévio à cirurgia definirá a exata gordura em excesso que o/a paciente possui naquela região após emagrecer. Após ser lipoaspirada a região do culote, esse paciente pode ter certeza que eliminou completamente a sua gordura. O contrário ocorre com o paciente obeso: o culote, após ser lipoaspirado, sofre o risco de ainda possuir gordura em excesso que não pôde ser eliminada pelo cirurgião para que se conservasse a harmonia do formato anatômico.

Outra vantagem que a paciente ganha emagrecendo antes de uma cirurgia plástica é em sua recuperação: a paciente magra forma menos seromas (acúmulo de líquido sero-sanguinolento na região operatória) necessitando menos sessões de drenagem linfática. Sua recuperação e cicatrização ocorrem de forma mais rápida.

Pacientes que irão realizar qualquer tipo de cirurgia plástica ou de outra especialidade têm muito mais benefícios com o emagrecimento do que possíveis riscos.

3) Você falou em riscos possíveis no emagrecimento pré-operatório. Quais são?

Os riscos que um paciente pode sofrer ao realizar emagrecimento pré-operatório são muito pequenos se realizados por profissionais especializados. Todo o tratamento é monitorado com exames físicos e de laboratório, que controlam todas as alterações metabólicas desse paciente. Através dessa prática evitamos anemias carenciais por falta de vitaminas, distúrbios hidroeletrolíticos como diminuição dos sais minerais, distúrbios renais, diabetes, hipertensão, etc. Essas alterações citadas são possíveis quando não há um acompanhamento médico adequado, o que, infelizmente, ainda existe em nosso meio por falta de esclarecimentos aos pacientes.

4) Que profissional devo procurar para realizar meu emagrecimento pré-operatório?

Pacientes que irão realizar emagrecimento pré-operatório sempre deverão ser acompanhados por médicos habituados com a prática. O endocrinologista é o profissional mais adequado a realizar o acompanhamento e o tratamento desse paciente em todo o percurso da doença. O médico anestesiologista também cumpre papel importante no acompanhamento desse paciente, uma vez que será responsável pela vida do paciente durante o ato cirúrgico. O mesmo deverá informar ao paciente todos os seus riscos cirúrgicos e avaliar seu estado de saúde com exames físicos e laboratoriais. Na presença de alterações metabólicas como a obesidade, o anestesiologista poderá colaborar com o endocrinologista no manejo metabólico pré-operatório com vistas ao emagrecimento desse paciente. Por fim, o médico psiquiatra também cumpre papel fundamental no manejo dos distúrbios alimentares compulsivos como bulimia ou anorexia nervosa, que podem ser controlados com drogas antidepressivas que auxiliam na ingestão excessiva (bulimia) ou diminuída de alimentos (anorexia nervosa). Complementarmente e de maneira multidisciplinar, o paciente obeso deverá ser acompanhado por nutricionista especializado na área cirúrgica, fisioterapeuta, esteticista e personal-trainer com título superior na área.

5) Depois de realizar a cirurgia o que devo fazer para não voltar a engordar?

A obesidade é uma doença insidiosa, lenta e progressiva. A manutenção do peso perdido deve ser uma preocupação e um cuidado constante por parte do paciente para que a obesidade não retorne. Acompanhamento médico profissional deve ser realizado por, no mínimo, 2 anos após a cirurgia, pois o organismo necessita de bastante tempo para assimilar as alterações de metabolismo e do peso que queremos manter. Manter um metabolismo ativado e dieta constante não é tarefa fácil. Dificilmente o paciente consegue realizar sozinho. Muitos pacientes necessitam utilizar medicação para estabilizar o peso, seja através de ativadores de metabolismo, ou redutores da ansiedade, para controle do comer compulsivo e, ainda, outros pacientes necessitam sacietógenos (indutores da saciedade) por um tempo mais prolongado.

Por todas essas razões, o paciente deverá sempre manter-se em acompanhamento realizado por médico habituado com essa prática.

6) Tenho medo de tomar medicação para emagrecer. Elas podem me prejudicar?

A utilização de medicação para emagrecer é motivo de controvérsia entre os médicos, os pacientes e a sociedade. Muitas dessas medicações foram desenvolvidas para utilização por curto período de tempo não levando em conta que a obesidade é doença crônica e necessita tratamento a longo prazo de estabilização de peso. Outro motivo oculto é a pressão da indústria farmacêutica sobre os meios de comunicação e os órgãos governamentais reguladores desse tipo de medicação com clara intenção de denunciar somente os aspectos negativos das medicações mais antigas, para que se forme um verdadeiro pavor social aos anorexígenos, favorecendo a idéia de utilizar-se as medicações mais modernas e mais onerosas.

Isso gera um custo social grave, uma vez que, por razões financeiras, a maioria dos pacientes não tem acesso a esse tipo de medicamento e continuam obesos ou abandonam o tratamento, o que possibilita o aparecimento das temíveis complicações dessa doença e seus custos sobre o SUS – Sistema Único de Saúde.

Para utilizarmos medicações devemos, primeiro, tentar o uso de dieta balanceada e realização de exercícios físicos. Somente após a falha desse tipo de tratamento que devemos pensar na possibilidade de utilização de medicamentos. Para pacientes que apresentam Índice de Massa Corporal-IMC (divisão do peso sobre o quadrado da altura) maior do que 30 a utilização de medicação é quase que obrigatória.

Toda medicação possui efeitos colaterais, mas esses são mais comuns quando o paciente não segue as orientações médicas ou abusa da mesma. Um exemplo típico de aparecimento de efeitos colaterais que podem ser evitados é aquele que, por desejo de resultados rápidos, o paciente toma a medicação e não realiza o regime alimentar associado à medicação. Sem alimentar-se e tomando medicação, esse paciente pode sentir-se muito mal podendo, até mesmo, desmaiar ou morrer.

7) Paciente A -Eu como muito pouco e, mesmo assim, tenho excesso de peso. Acordo pela manhã e não tomo o café-da-manhã, almoço somente bife com salada e, à noite tomo café com pão preto. Porque não emagreço?

Paciente B – Eu não consigo me controlar na comida depois das 5 da tarde quando chego à casa do trabalho. O que está acontecendo comigo?

O maior inimigo do tratamento da obesidade é o fato do paciente “achar que sabe tudo”. Partindo do senso comum que “deve fechar a boca”, acaba por cometer erros. Ora, a obesidade é uma doença psico-metabólica e, sendo assim, ela acaba condicionando os hábitos alimentares do paciente. Sua característica principal é o “ataque de fome compulsiva” (binge-eating) após as 17 horas. Para que esse ataque seja perfeito ele necessita que o paciente ingira pouco carbohidrato antes do mesmo.

Como a grande maioria dos obesos não sente fome pela manhã, acabam não tomando um bom café-da-manhã acompanhado de carbohidratos, frutas e proteínas. Após 6 a 8 horas de sono o organismo necessita de calorias ao acordar.

Chegam ao almoço ainda sem fome, portanto e em geral, aproveitam para fazer dieta: carnes, frangos ou peixes com saladas. Percebe-se que, desde o horário de dormir até o almoço, esses pacientes não ingerem ou ingerem muito pouco carbohidrato, com isso seu metabolismo continua lento por todo o dia e, ao chegar à casa pela tardinha, a vítima está pronta para ser atacada pela fome intensa de carbohidratos.

Por essa razão o comportamento dessas pacientes impede o emagrecimento.

8) Sou obesa, mas não chego a ser obesa mórbida, por isso meu médico não me indicou cirurgia bariátrica para redução do volume de meu estômago. Já fiz todo os tipos de regimes possíveis e imagináveis, tomei fórmulas e todo tipo de medicações, já fui a grupos de obesos e já comprei todo tipo de chás e shakes que me ofereceram e, por fim, realizei cirurgia plástica do abdome e lipoaspirações, mas continuo obesa. Estou desanimada e sem esperança. Ainda possuo alguma chance?

Existe de fato essa realidade. O metabolismo torna-se tão lento e tão tolerante aos medicamentos que parece nada mais funcionar. Esses pacientes devem ser incentivados a não desistir. O excesso de peso já é tão grande e as complicações metabólicas tão graves que impedem o exercício. O que fazer? Dieta não funciona mais, o exercício é impossível, o corpo está resistente à medicações… A equipe médica dessa paciente, muitas vezes, também desanima ao ver essa paciente regressar novamente obesa.

O que devemos fazer, nessas ocasiões, é nos apegarmos a pequenas “brechas” que a doença permite, para que possamos atacá-la. Muitas vezes é o café-da-manhã com carbohidratos que não está sendo observado, em outras é a falta do almoço e, na grande maioria das vezes, o paciente está comendo pão ou derivados à noite. Troca o pão branco pelo pão preto e segue ingerindo o carbohidrato à noite sem dar-se conta que é isso que impede o emagrecimento. O paciente deverá ser muito honesto consigo nessa hora e impedir a ingesta de carbohidrato derivado das farinhas ou do açúcar, após o almoço.

Reforço psicológico, fisioterapia orientadora de exercícios próprios a esse paciente, equipe médica adequada, apoio nutricional e dietético, uso de medicações alternadas, e, principalmente: muito desejo sincero de emagrecer sem cometer “pecados”.

9) Realizo exercícios todo dia, caminho 1 hora por dia, observo rigorosamente minha dieta por mais de um ano e, só emagreci nos primeiros 2 meses de tratamento, após isso não perdi mais peso. O que aconteceu comigo?

Assim como o organismo obeso torna-se tolerante aos medicamentos, ele “acostuma-se” aos exercícios. Os músculos daquela região solicitada adaptam-se ao exercício e a queima calórica fica diminuída. A dica, nesse caso, é alternar o tipo de exercício. Se o obeso gosta de passar 1 hora na esteira ou andar em volta da praça, modifique o trajeto. Que inclua lombas, degraus e terrenos mais acidentados. Outra dica é passar a correr, andar de bicicleta e nadar. Se o paciente está na academia, modificar os aparelhos semanalmente e, principalmente, não aumentar os pesos para não hipertrofiar músculo e impedir a perda de peso. Ao invés de aumentar o peso do aparelho, ele deve aumentar o número de séries. Fazendo 3 séries de 50 exercícios em cada aparelho, certamente o emagrecimento ocorrerá.

10) Que tratamento realizarei para emagrecer? Quais são as estratégias a curto, médio e longo prazo?

O objetivo do tratamento a curto prazo é atingir o máximo de perda de peso com saúde possível para a realização da cirurgia plástica. Para esse intento realizamos uma avaliação rigorosa dos hábitos cotidianos e alimentares do paciente. Exames laboratoriais são pedidos pré, trans e pós-emagrecimento A vida social e emocional também é investigada para podermos lidar com esse paciente de forma abrangente e integral.

A estratégia de tratamento é saber lidar com o componente psíquico e o metabólico do paciente. Muitas vezes, encontramos somente um dos componentes presentes no paciente ou, geralmente, a associação de ambos (compulsão alimentar associado ao metabolismo lento).

O manejo psíquico do paciente procura encontrar indícios de compulsão alimentar para farináceos após as 17 horas e alguma característica do perfil psicológico do paciente obeso para sabermos classificar e manejar cada caso individualmente.

Quanto ao perfil psicológico do paciente obeso típico ou obeso em potencial , ao relatar ao médico sua rotina diária, inconscientemenete, relata um comportamento característico que se repete na grande maioria dos outros obesos.

1) Negação do próprio corpo

2) Racionalização do problema da obesidade

3) Projeção do problema da obesidade

4) Auto estima baixa

5) Carência afetiva

6) Vergonha

7) Exclusão de ambientes sociais

8) Ressentimento do passado

9) Raiva do presente

10) Medo do futuro

11) Fraca auto confiança

12) Desonestidade

13) Preguiça

14) Insegurança

15) Inveja

16) Auto piedade

17) Falta de perseverança no propósito

18) Imediatismo (resultados rápidos)

19) Extremismo (executa regimes maiores do que os propostos)

Medicações para o controle da ansiedade ou antidepressivos são prescritos conforme a necessidade ou não, nesses casos.

O manejo metabólico do paciente é desenvolvido através de dieta personalizada que enfoca a necessidade de interromper a ingesta de farináceos e doçuras após o almoço. Café-da-manhã balanceado, lanche da manhã, almoço completo com sobremesa e, após o almoço, interrupção da ingesta de pães, bolos, tortas, biscoitos, pastéis, salgadinhos, pizza, massas e alimentos que contenham açúcar de qualquer tipo. Um programa de exercícios orientado é oferecido ao paciente.

Em geral, com essas orientações e cuidados, o paciente consegue emagrecer. Para os casos que não o conseguem, ou que apresentem patologias graves ou IMC maior que 30, o uso de medicações anorexígenas, sacietógenas, ativadores do metabolismo, bloqueadores da absorção de gordura, ou que agem sobre os receptores cerebrais envolvidos na obesidade, serão indicadas segundo a necessidade maior do paciente ou tipo de zona afetada.

Os objetivos à médio e longo prazo, após a cirurgia, têm como alvo a manutenção e estabilização do peso. O organismo demora para se “acostumar” com o novo peso. Existe uma memória metabólica do peso inicial que tentará recuperar o peso perdido. Para que o paciente entenda melhor essa situação, para o organismo, a dieta e os novos hábitos diminuem a quantidade de alimentos ingerido e representam um sinal de perigo para o mesmo. Com isso, o corpo passa a economizar ao máximo as calorias ingeridas, daí a razão de, muitas vezes, o paciente emagrecer rápido nos 15 dias iniciais (3 a 5 quilos) e,depois, diminuir o ritmo da perda de peso.

A manutenção durante 2 anos ou mais, reeduca o organismo a esse novo estilo de vida e faz que o mesmo adapte-se ao novo hábito: “comer como um rei (ou rainha!) pela manhã, príncipe ao almoço e escravo ao anoitecer”. A memória metabólica vai se perdendo aos poucos e o paciente estabiliza seu peso.

11) Quantos dias deverei interromper a medicação antes da cirurgia? Quando deverei recomeçar o tratamento?

Se o paciente está fazendo uso de medicação deverá interrompê-la 7 dias antes da cirurgia e recomeçar 7 dias depois.

12) Quais são as causas da recaída da obesidade?

Após um período breve de tempo em emagrecimento o paciente obeso, agora magro, começa a viver uma nova realidade e, se não for trabalhada uma terapia comportamental, começa lentamente um processo de desânimo. Forças contrárias ao tratamento passam a ser valorizadas pelo paciente nessa fase. Exemplos disso são comentários negativos da família, pressão dos amigos, férias de verão, festas, mudança de domicílio, problemas emocionais que levem ao aumento da ansiedade como perda de familiares, concursos, casamento, divórcio,problemas financeiros, excesso de trabalho, etc. O paciente acha que pode se cuidar sozinho, mas, sem perceber começa a abandonar o médico, depois as caminhadas e por fim a própria dieta. Aquele período pequeno em que ele, sem tratamento, conseguiu manter seu peso, serve de justificativa para ele não retornar ao médico… e , assim, a recaída está instalada. Alguns meses depois, com o paciente novamente obeso, o sentimento de culpa, remorso, depressão voltam e o paciente inicia o processo novamente de querer emagrecer. Por vergonha, o mesmo, muitas vezes procura outro profissional para reiniciar seu tratamento.

13) Em quanto tempo antes da cirurgia deverei iniciar meu emagrecimento?

O ideal seria o paciente procurar o serviço de emagrecimento 6 meses antes da cirurgia, mas, muitas vezes, isso não ocorre. O que não pode acontecer é o paciente tomar a decisão de emagrecer em 30 dias e querer realizar a cirurgia plástica em seguida.

14) Quantos quilos perderei por mês?

A perda de peso é maior no início do tratamento (em geral, 4 a 6 quilos por mês) e vai diminuindo com o passar do tempo. Para emagrecer 30 quilos de um obeso, necessitamos, no mínimo 6 meses.

15) Tenho 14 anos e estou muito acima de meu peso ideal e sinto muita fome pela tarde e à noite. Tenho vergonha de meu corpo porque minhas amigas todas já estão sendo notadas pelos meninos e, para mim eles não olham. Tenho vontade de fazer uma plástica e tirar toda essa gordura, mas meu médico não concorda com minha idéia. O que devo fazer?

A obesidade infanto-juvenil está crescendo a cada dia em nosso meio. Crianças e adolescentes têm crescido nos últimos 20 anos, porém também têm ganhado peso, o que está nos assemelhando em obesidade aos americanos. Se a tendência continuar, a esperança de vida das próximas gerações diminuirá, segundo Antonio Carrascosa, chefe do Serviço de Pediatria do Hospital Vall d’Hebron, de Barcelona. Estas conclusões foram obtidas após o Primeiro Estudo Transversal de Crescimento em 2008 na Espanha no qual foram medidos e pesados 34 500 crianças e adolescentes de todas as idades, desde o nascimento aos 20 anos.

Os adolescentes cresceram, em média, 3 centímetros na Europa. Porém, ganharam peso e não de forma proporcional. Há 20 anos atrás o sobrepeso em crianças era na faixa de 3%, hoje esta cifra tem se multiplicado por 3 no caso das meninas e por sete no caso dos meninos.

O ganho de peso começa nos primeiros anos de vida, a partir dos 3 ou 4 anos. Quando chegam aos 14 anos, as adolescentes começam a se preocupar com sua imagem e passam a diminuir o ganho de peso em relação aos adolescentes do sexo masculino.

Entre as causas que favorecem a obesidade infanto-juvenil, os especialistas assinalam um aporte calórico excessivo-com alimentos que contém muitas calorias em pouco volume-e a tendência cada vez maior ao sedentarismo. Até os 3 anos de vida as crianças não param de mexer-se e ao existir sobrepeso nessa idade se pode atribuir ao comer em excesso. Porém, depois dessa idade, o ócio dos maiores facilita o sedentarismo.

As crianças prematuras, a partir de 26 a 27 semanas, ou os que nascem com baixo peso, têm maior risco de desenvolver obesidade na vida adulta, pois a recuperação de peso rápida após o nascimento demanda uma sobrecarga para o metabolismo da criança e, com o crescimento dessa criança, está relacionado o aparecimento de síndrome metabólica na vida adulta, ou seja, obesidade, diabete e hipertensão.

A obesidade infanto-juvenil é, a cada dia mais freqüente, motivo de consulta e produz complicações tanto médicas como psicológicas nos afetados por essa moléstia. Se não é realizada nenhum tipo de intervenção, esses pacientes têm um risco duas vezes maior de seguir obesos na vida adulta.

Na manutenção da obesidade interferem tanto fatores genéticos como ambientais. Nestes últimos, destaca-se o número de horas que as crianças e os jovens passam em frente ao televisor, que está em relação direta com o risco de obesidade, especialmente nos adolescentes. A televisão anuncia alimentos com alto conteúdo calórico e, em geral, os personagens que aparecem mostram hábitos alimentares inadequados. Ademais, frente à telinha se aumenta a possibilidade de “beliscar” alimentos e se reduz o tempo dedicado às atividades ao ar livre.

O exercício, não somente gasta parte da energia ingerida e ajuda a manter um balanço calórico correto, mas também previne o aparecimento de transtornos vasculares e diabete, porque melhora o efeito regulador da insulina e diminui a lipogênese (aumento da gordura). Outros fatores ambientais implicados no excesso de peso é o tipo de estrutura familiar e o excesso de alimentação durante o período pré-natal e de lactação.

Se a tendência de aumento de peso que está se produzindo nos países desenvolvidos não se inverter, poderá ocorrer um paradoxo: a esperança de vida das novas gerações será, pela primeira vez, menor do que seus progenitores. Nossa espécie sempre viveu em condições de penúria de alimentos e nossos genes estão adaptados para retirar o máximo dos alimentos devido a essa carência. Porém, desde a metade do século passado, a carência de alimentos desapareceu para a maioria da população aparecendo um excesso de alimentos, e, por isso, a obesidade vêm aumentando.

Além de prejudicar a saúde a longo prazo, a obesidade infanto-juvenil provoca alterações do desenvolvimento puberal: puberdade precoce, pseudohipogenitalismo (aspecto de pênis pequeno devido ao excesso de gordura na região) e ginecomastia (mamas aumentadas nos meninos). Problemas dermatológicos como estrias, infecções por fungos, dispnéia (falta de ar) de esforço durante o exercício físico moderado e patologias nos ossos e articulações (pés planos e escolioses).

16) Que tratamento existe para a obesidade infanto-juvenil?

O tratamento da obesidade infanto-juvenil, como no caso dos adultos, é um dos problemas mais difíceis e frustantes para o pediatra, pois cerca de 90%¨das crianças que perdem peso tornam a recuperá-lo. Não obstante, com uma perda de peso moderada, pode-se conseguir uma notável diminuição dos transtornos associados à obesidade, a mesma já é considerada a epidemia deste século, assim como uma enfermidade difícil de tratar.

Para complicar mais ainda, a dieta para perder peso pode ter efeitos secundários importantes na criança ou no adolescente, como diminuição do crescimento, se o aporte calórico não for adequado. Não podemos também esquecer os efeitos psicológicos, porque um regime muito agressivo pode contribuir à piora da auto-estima ou provocar depressão. E, nas jovens pré-dispostas, pode ser o gatilho, pelo qual os transtornos alimentares como a bulimia ou a anorexia nervosa se iniciam.

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