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Suplemento Alimentar ajuda a perda do Peso?

fevereiro 14, 2017
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Emagrecimento para Homens!

fevereiro 1, 2017

Emagrecimento para os Homens!

Não é raro que os homens perdem peso mais rapidamente que as mulheres, pois acumulam mais gordura na barriga e não nos quadris o que torna essa gordura mais fácil de eliminar contudo esse acúmulo abdominal é perigoso para saúde do homem podendo causar AVC e infartos.

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Tratamento com Especialista em Obesidade

janeiro 28, 2017

Apenas 1% de todos os casos de obesidade provém de endócrinopatias, de modo que o Endocrinologista não deveria ser o profissional mais habilitado a tratar essa patologia.  ( Fonte : Cecil – Tratado de Medicina Interna) . 99 % dos casos de obesidade são devidos aos transtornos alimentares compulsivos e, para estes, o psiquiatra seria o profissional mais adequado a tratar o doente obeso do ponto de vista médico.  No entanto, sendo uma doença de origem multifatorial a obesidade necessita não somente do médico para ser tratada. Necessita de nutricionista , personal trainer , psicólogo, farmacêutico, enfermeiro , todos com especialidade no tratamento da obesidade.  Não somente ao médico deveria se exigir experiência.  As demais profissões também tem que ser especialista.  Um farmacêutico tem que ser especialista em Obesidade.  Ao menos deveria lidar com isso pelo menos por mais de dez anos . A medicina e as demais faculdades habilitam-no a lidar com todo tipo de doença desde que você saiba tratar complicações.  Caso contrário à Vigilancia Sanitária não daria receituário especial para Emagrecimento somente para Endocrinologista.  De modo que a especialidade ajuda muito no tratamento específico de uma doença mas não é por si só garantia de cura para a mesma.  Se fosse assim teríamos que fazer nosso remédio de emagrecer somente com farmacêuticos especialistas em Obesidade, remédios para pressão com farmacêuticos especialistas em cardiologia, etc.

A experiência e a confiança no profissional ainda são as pedras angulares na relação médico- paciente e isso é sagrado. Ninguém é mais especialista do que um computador que se atualiza a cada 2 ou 3 dias

Mas ninguém se consulta com um computador, apesar dele saber muito mais do que qualquer especialista médico.

Medicina é vocação, é liturgia , é sagrada. Você confia ou não confia no seu médico.  Caso contrário você despersonaliza seu tratamento.

Médico, mecânico e advogado cada um tem o seu de confiança.

Seja ele especialista ou não.  Você simplesmente tem o direito de escolher o seu.

 

Pensem nisso e vamos em frente!

 

Dr Henri Bischoff Cremers 18265 / CREMESC 6284 – Especialista em Anestesiologia –

Mestre em Educação- Formacao de Professores Medicos

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O PERIGO DAS FALSAS PROMESSAS E DE REMÉDIOS “MILAGROSOS” QUE VOCÊ PODE COMPRAR SEM RECEITA MÉDICA

janeiro 25, 2017

Se remédio que você pode comprar sem receita em farmácias para emagrecer funcionassem não existiriam obesos no mundo. De boas intenções o inferno está cheio.

Ocorre que as farmácias precisam vender e não gostam de depender de receita de médico.  Por isso todo ano inventam um milagroso : pholia magra , goji berry, chá verde, lorcazerina, faseo lamina, whey e, por ultimo: os piores : nomes comerciais sem formula definida tipo ” slim-x” .pior ainda quando botam “Resultados Garantidos”.  Fuja dessa gente que não esta preocupada com sua saude a longo prazo. Estao preocupados com suas vendas. São abutres em cima de sua obesidade. Cuidado com WhatsApp oferecendo remedios de emagrecer. Outra coisa: farmacia de manipulacao esta PROIBIDA de mandar remedio pelo correio. Cuidado se lhe oferecem essa via. A Vigilancia Sanitária está nos Correios e pode lhe chamar para votar prestar depoimentos. Voce pode ser processado como receptador de drogas.

 

Nunca pedi para NINGUEM consultar comigo . Desconfie de pessoas que ligam para voce oferecendo remédios milagrosos e pior: FALANDO MAL DO MEU  TRABALHO! .

Trato obesidade ha 27 anos. Tenho um olhar diferente sobre o doente obeso. Acredito que ele precisa acompanhamento e carinho para sempre. Mas isso nao é desculpa pars eu ganhar dinheiro. Em media meus pacientes realizam 2 a 3 consultas POR ANO.

Todas pessoas sao livres para escolher seu método de tratamento. Se voce acredita somente em dietas – legal vai em frente . Se voce acredita somente em exercicios fisicos- legal vai em frente . Se você acredita que tomar shake e participar de uma rede de vendas de shakes é a solução – legal vai em frente. Se voce acredita em sementinhas atras da orelha para emagrecer – legal vai em frente.

Agora o meu método é baseado em remédio – exercicio e dieta. Nao obrigo ninguem a vir me consultar, mas peço respeito assim como respeito os demais métodos.

Nao posso tolerar pessoas falanfo mal de meu trabalho para VENDER seus produtos. Isso é desonestidade. Nao vai dar certo a longo prazo.

O que diferencia um profissional de um charlatão nao é copiar o método e se autopromover em cima da desgraca do outro. O que faz a diferenca É SABER TRATAR AS COMPLICAÇÕES QUE IRAO SURGIR AO LONGO DO TRATAMENTO. Isso separa o profissional do oportunista.

Se voce estiver na mão de um oportunista e seu tratamento complicar você ficará sozinha sem ajuda porque o charlatão pegou seu dinheiro e nao sabe tratar suas complicacoes.

Pensem nisso. E vamos em frente !

 

 

 

 

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Comprovado: ingerir álcool aumenta a fome e o apetite, diz estudo

janeiro 25, 2017

Comprovado: ingerir álcool aumenta a fome e o apetite, diz estudo

Cientistas descobriram que, ao ingerirmos bebidas alcoólicas, instantaneamente, nosso cérebro é alterado para o “modo fome”, o que explica o aumento de apetite.

Após catalogarem resultados de pesquisas em camundongos, cientistas britânicos descobriram que o álcool ativa os sinais cerebrais responsáveis por alertar o corpo de que estamos com fome — os achados foram publicados  no jornal científico Nature Communications.

As conclusões dessa recente pesquisa, que também pode ser aplicada aos seres humanos, provam que o ato de comer mais depois de tomar alguns drinques não está ligado apenas a uma perda da restrição — muito comum em diversas situações em que estamos levemente alcoolizadas; na verdade, o mecanismo é uma resposta neuronal, de acordo com informações do Instituto Francis Crick, em Londres.

Como funcionou o estudo

Os ratinhos foram submetidos, durante três dias, a uma dose de álcool equivalente a uma garrafa e meia de vinho por pessoa. A substância causou maior incidência na atividade dos neurônios AGRP, responsáveis por regular a fome. Resultado: os animais comeram mais do que o normal.

Então, os pesquisadores repetiram a experiência, mas com a ajuda de uma outra substância, bloquearam esses neurônios. Os camundongos não comeram tanto como da primeira vez, o que sugere que os AGRP são capazes de induzir a ingestão do álcool.

Quando os pesquisadores repetiram a experiência, mas bloquearam os neurônios com uma droga, os ratos não comeram tanto. Isso sugere, de acordo com os pesquisadores, que os neurônios são responsáveis pela maior ingestão alimentos após tomarmos álcool.

Por que consumir menos álcool?

A bebida em si também é extremamente calórica. Por exemplo, uma taça de vinho grande e cheia pode conter o mesmo valor calórico que um donut, isto é, 200 calorias.

Denis Burdakov, um dos autores do estudo, afirmou que compreender as alterações que a ingestão de álcool acarreta no nosso corpo pode ajudar a controlar a obesidade. Uma boa notícia para nós, já que mais da metade da população brasileira (51%) apresenta sobrepeso, de acordo com um levantamento do Ministério da Saúde.

Sir Ian Gilmore, professor da associação Alcohol Health Alliance UK, fez um alerta para que as pessoas se conscientizem sobre o impacto que a substância pode ter na alimentação de cada indivíduo e os riscos associados ao seu consumo.

“O álcool é responsável por mais de 60 doenças e aqueles que o consomem colocam-se em risco ainda maior quando o combinam com uma alimentação desregrada e excessiva. Especialmente porque, quando as pessoas bebem, são mais propensas a fazer escolhas alimentares menos saudáveis”, diz Ian. E ele compelta: “Tanto é que o álcool e a obesidade são responsáveis por 90% das mortes relacionadas a problemas no fígado. A substância também é duas vezes mais tóxica para o órgão em pacientes muito obesos.”

De gole em gole

Confira abaixo as calorias de algumas bebidas alcoólicas:

Batida de frutas com leite condensado: 504 cal em 1 copo/200 ml

Cachaça: 115 cal em 1 dose/50 ml

Caipirinha de limão com cachaça e açúcar: 263 cal em 1 copo/200 ml

Caipirinha de limão com cachaça e adoçante: 182 cal em 1 copo/200 ml

Caipirinha de limão com vodca e açúcar: 310 cal em 1 copo/200 ml

Caipirinha de morango com saquê e açúcar: 282 cal em 1 copo/200 ml

Caipirinha de morango com saquê e adoçante: 182 cal em 1 copo/200 ml

Cerveja: 151 cal em 1 lata/350 ml

Cerveja sem álcool: 82 cal em 1 long neck/355 ml

Chope: 180 cal em 1 tulipa/300 ml

Cuba libre: 170 cal em 1 copo/250 ml

Espumante: 110 cal em 1 taça/125 ml

Gim: 60 cal em 1 dose/30 ml

Margarita: 131 cal em 1 copo/150 ml

Mojito: 250 cal em 1 copo/200 ml

Prosecco: 106 cal em 1 taça/125 ml

Rum: 110 cal em 1 dose/50 ml

Spritz: 261 cal em 1 copo/300 ml

Saquê: 50 cal em 1 dose/35 ml

Smirnoff Ice: 240 cal em 1 long neck/275 ml

Tequila: 110 cal em 1 dose/50 ml

Uísque: 120 cal em 1 dose/50 ml

Vinho tinto: 107 cal em 1 taça/125 ml

Vodca: 120 cal em 1 dose/50 ml

Fonte: http://boaforma.abril.com.br/saude/comprovado-ingerir-alcool-aumenta-a-fome-e-o-apetite-diz-estudo/

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MEMÓRIAS DE OLGA UMA OBESA

janeiro 24, 2017
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Memórias de Olga uma Obesa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MEMÓRIAS DE OLGA
Uma obesa

Memórias de uma obesa e sua visão sobre o tratamento da obesidade no Brasil
Henri Fernando Bischoff
Esta é uma ficção. Os personagens também. Qualquer relação com fatos reais é mera coincidência…

Capítulos:
Prefácio 04
1. A vida de uma obesa 05
2. A evolução da doença 08
3. O fundo de poço 14
4. A exploração do obeso 23
5. A deterioração da saúde física e mental 32
6. Uma nova maneira de tratar a obesidade 40
7. Iniciando o tratamento 53
8. A harmonia das ilusões 59
9. O perigo do pão 64
10. A dieta, a medicação e a atividade física 75
11. A reeducação alimentar 89
12. A vida em sociedade e a resistência ao tratamento98
13. A UTI do obeso 101
14. A manutenção de Peso 109
15. A recaída 116
16. A pressão da família 125
17. A próxima consulta 128
PREFÁCIO

Este livro é para gente pesada. Não se destina a pessoas leves porque não irão entendê-lo e, muito provavelmente, o acharão chato e exagerado. Somente quem sofreu as angústias da obesidade é capaz de entender e dividir as experiências, forças e esperanças que estão contidas neste livro. Nele se aborda a obesidade como sendo fruto de uma ansiedade que ataca mais no final da tarde ou início da noite quando se chega em casa fragilizado pelo cansaço do trabalho e sente-se fome que sacie e recompense de forma rápida o estresse do final do dia. Em geral são carboidratos. Essa fome nunca ataca pela manhã. No almoço o obeso come pouco. Come mais à noite. Isso o leva a engordar. O organismo dele “grava” na memória do corpo esse sobrepeso depois de, no mínimo, 2 anos com essa rotina e não adianta emagrecer e achar que se está com o problema resolvido, pois a compulsão pelo carboidrato permanece mesmo com o corpo magro. Dois anos é o tempo mínimo que o organismo necessita para esquecer o sobrepeso inicial e consolidar o peso pretendido, portanto, dois anos é o tempo mínimo que os obesos necessitam para permanecerem magros realizando tratamento. Precisam de ajuda enquanto o tempo passa. Esse é o objetivo deste livro.
Apenas para fins de contexto, a maior parte da história de Olga se passa antes da proibição das anfetaminas no Brasil (04/10/2011). Isso se deve ao fato que a maior parte dos obesos no Brasil utilizaram esses medicamentos e os novos medicamentos não têm histórias para serem contadas ainda. Afinal, foram 40 anos de anfetaminas no Brasil. Tem muita história de gordinho para ser contada.
CAPÍTULO 1

A vida de uma obesa
Chamo-me Olga. Olga Antunes e sou uma obesa. Antes eu não era… Era uma pessoa magra, mas agora: sou obesa. Peso 95 kg e tenho 1,65 metros. Casei-me bem magra, e, depois da lua-de-mel, passei a engordar um pouco, pois eu e meu marido fazíamos sanduíches, pizzas, x-salada e todo o tipo de comida que recém-casados fazem por não saber cozinhar. A comidinha da mamãe faz falta depois que casamos.
Tive minha primeira filha e engordei 18 quilos. Fiquei com estrias. Depois do parto perdi peso rapidinho sem dieta alguma. Engravidei de minha segunda filha 3 anos depois e engordei 30 quilos, só que desta vez, não perdi quase nada de peso depois do parto… Ganhava somente mais estrias e preocupações.
Trabalho o dia todo em uma facção de calças jeans. É monótono, porém me ajuda a não pensar em mim e nos meus problemas. Chegando a casa, dou atenção para as crianças e saio correndo para a faculdade. Estou fazendo enfermagem.
Aos quarenta anos resolvi parar de fumar e engordei mais doze quilos. Ganhei enorme compulsão para doces e farináceos à noite.
Resolvi escrever para mim mesma e para minhas amigas gordinhas a minha última tentativa de emagrecer. Escreverei um diário, ou seja, anotarei cada quilo perdido em minha dieta.
Escreverei como eu sei sem linguagem erudita, por isso, me perdoem se eu errar na escrita. Escreverei aquilo que me vem à cabeça. Estou motivada. Sei que das outras vezes em que tentei emagrecer eu também estava… Só que agora parece ser diferente, porque dessa vez, eu quero emagrecer e me manter magra.
Já fiz todo o tipo de dieta possível e imaginável: dieta da sopa, da lua, dos pontinhos, de grupos de alimentos, de proteínas, dieta de South Beach, dieta do grupo sangüíneo, das frutas, dos sete dias, dos chás, dos shakes, enfim; tudo que me diziam que era bom para emagrecer eu fazia, mas sempre voltava a engordar e me frustrava.

Remédios? Experimentei todos… Desde o tempo em que o Dualid® e o Inibex® mantinham em sua fórmula diazepan com anfepramona. Sou do tempo do redux®, do fluril®, do moderex®, do isomeride®, do fagolipo®, do dasten plus®, do hipofagin®, moderine®, algas régias, e, mais recentemente, usei sibutramina, orlistat (xenical®) e rimonabant (acomplia®). Fórmulas de emagrecer? Já perdi as contas de quantas fórmulas eu tomei: sou da época em que o médico escrevia no receituário branco a fórmula de dietilpropiona + femproporex + diazepan + diuréticos e laxantes. Essa fórmula funcionou várias vezes para mim, mas depois, ficou difícil conseguir, porque somente mediante receituário controle especial era possível obtê-la. Após isso, ficou proibida a associação de medicamentos na mesma cápsula e tivemos que tomá-la em várias cápsulas diferentes. Muitas amigas minhas passaram a ficar com medo de tomar tantas cápsulas e algumas desistiram. Eu não!
CAPÍTULO 2

A evolução da doença
Passei a ficar dependente do remédio. Era uma necessidade para mim. Atualmente nem mesmo em cápsulas diferentes é possível formulá-las. O que fazíamos então? Comprávamos pela internet um remédio que vinha de Tocantins em cápsulas A, B e C. Iniciava-se pela A até chegar a C, a mais forte. Não é preciso dizer que eu pedia a C direto…
Após certo tempo fiquei sabendo que a polícia tinha prendido o laboratório clandestino e, então, um médico em Minas Gerais enviava o remédio pelo correio. Ligava-se para lá e atendia a equipe de funcionários treinados para entrevistar pelo telefone e, após a mesma, o remédio era enviado. Só se ficava sabendo o nome do médico pelo rótulo do medicamento. A consulta e o remédio eram depositados em uma conta bancária. Nunca mais soube deles.
Assustada com tudo isso resolvi consultar um endocrinologista. Após longa consulta (pelo convênio! Graças a Deus), o mesmo me explicou, pela primeira vez, que obesidade era uma doença. Eu deveria realizar uma dieta hipocalórica e exercícios. Pedi-lhe remédios, mas ele achou por bem tentar, primeiro, tratamento não-medicamentoso. Não gostei muito, mas topei, afinal era a única alternativa para mim. Meus exames eram normais, dizia ele, e minha tireóide era de uma menina de 18 anos.
Tentei colocar em prática a dieta, até fazia mais do que estava escrito, ou seja, pela manhã eu não tomava o café-da-manhã, almoçava carnes com saladas e, à noite, não jantava, só tomava um cafezinho com pão preto e ia para a cama. Quanta ignorância! Tempos depois fui saber que estava completamente errada e que, invés de ajudar, toda essa minha restrição alimentar além do prescrito atrasava mais ainda o meu emagrecimento. Mas gordo é tudo igual mesmo: Quando come, come até morrer e, quando quer emagrecer, emagrece até morrer. Sempre vivendo nos extremos. Alcançar o equilíbrio nunca foi meta para gente obesa. O negócio sempre foi ser radical! Emagrecer pra ontem! Mais tarde fui saber que nosso organismo necessitava dos carboidratos, por isso que a dieta da proteína, a qual corta radicalmente todos os carboidratos, não é ideal. Funciona de uma maneira transitória, porque ninguém agüenta comer somente proteínas, gorduras e vegetais a vida toda. Chega-se a um ponto em que nós chutamos o balde e comemos um pudim inteiro em uma sentada.
Nosso organismo tem uma cota a ser preenchida de carboidratos, só que o obeso deixa para preenchê-la à noite, ao chegar à casa do trabalho. Passa-se o dia todo com o cafezinho bebido da manhã, com carnes e saladas no almoço (carboidratos zero o dia todo) e, à noite, devora-se pães, sanduíches, biscoitos, pizzas, massas, x-salada, etc. É claro que a pessoa só tem que engordar dessa maneira!
A grande sacada é comer bem pela manhã até o almoço. Preencher a cota de carboidratos o quanto antes para que possamos, à tarde e à noite, queimá-los e não engordar. Mas isso, eu só fui aprender bem mais tarde, pois, a vida toda me disseram que deveria evitar as gorduras e frituras e um pãozinho à noite não faria mal… Ledo engano! Fui descobrir que sou viciada em farinhas e doces à noite e que é praticamente impossível viver sem o carboidrato. Vou generalizar esse carboidrato chamando-o de pão. É o pão o grande vilão da história e não as gorduras e frituras. As gorduras fazem mal ao colesterol e ao coração, mas meu colesterol e meu coração vão muito bem obrigado, logo, essa história de evitar gorduras só serviu para eu comer mais pão e engordar mais ainda.
Enganei-me vários anos trocando o pão branco pelo pão preto, pão light e pão de centeio. Também comia pão sem miolo. Tudo era desculpa para eu poder comer pão sem culpa. Não adiantava: Tive que encarar minha dura realidade: Era obesa por excesso de pães à noite. Tinha que tocar nesse ponto e mudar, caso contrário, continuaria sempre me enganando…
Mas, voltamos ao meu endocrinologista: O danado não tinha prescrito medicação e não perdi quase nada. Retornei ao consultório e ele ainda me xingou quando eu disse que não conseguia controlar minha ansiedade à noite e que minha vontade de comer pão era imensa. Ele me dizia que eu tinha obrigação de seguir a dieta. Brigamos e saí muito brava de lá.
Os médicos, no seu ar de superioridade, acham que, ao prescrever uma dieta hipocalórica e um programa de exercícios, teremos obrigação de cumpri-la à risca. Ora! Como é que um alcoólico, por exemplo, poderia beber, mas beber somente um pouquinho, ou um drogado usar sua droga, mas com controle moderado? É isso que os médicos querem da gente ao não prescrever remédios: Querem que a gente use nossa droga (o pãozinho) moderadamente. O ponto principal que a medicina não entende é que nós sabemos o que devemos e o que não devemos comer. Somente não conseguimos colocar em prática. Para um médico é fácil olhar um raio-X de pulmões e dizer ao paciente: – Ou você pára de fumar ou irá morrer!
O paciente fumante fica desolado e sai do consultório com a maior cruz da vida dele: largar sua maior dependência sem ajuda de seu médico. O paciente fica abandonado à sua própria sorte com a difícil tarefa de largar o cigarro. Seria bom se todos os pacientes do mundo se rebelassem contra seus médicos onipotentes que proferem sentenças de vida ou morte lavando suas mãos depois disto e dissessem aos mesmos:
– Doutor, está certo: tenho que largar o cigarro, então… Faça-me parar, porque sozinho eu não consigo!
Assim, nós obesas deveríamos falar aos nossos médicos ou nutricionistas arrogantes, os quais pensam que, passando uma dieta, a criatura terá forças de cumpri-la: deveríamos dizer a eles: – Doutores, ok! Aqui está sua dieta, mas só há um probleminha: Eu não conseguirei colocá-la em prática. Resolva esse problema, pois você está sendo pago para isso, e não, simplesmente, ser o oráculo da sabedoria. Isso eu busco na internet. O profissional que lida com obesidade tem que se comprometer. Necessita envolver-se com o problema e ter COMPAIXÃO = sofrer junto. O camarada tem que ser mais humano e entender o sofrimento e a dificuldade que é ser escravo de uma doença que te arranca a auto-estima, acaba com a coluna, joelhos, pressão, derrames, infartos, enfim: nos enche de vergonha porque somos apaixonados pelo nosso pãozinho, que não nos ama: ele quer por fim às nossas vidas. E isso, os médicos e nutricionistas não entendem. Acham que a gente tem o controle sobre nossas vidas.

CAPÍTULO 3

O fundo de poço

Novamente saí às catas de uma pessoa que soubesse lidar com o meu problema. Que me entendesse. Onde andaria esse abençoado?
Falaram-me que havia em Curitiba um bioquímico que dava palestras para todas gordinhas reunidas em um salão de eventos e que, no final da mesma, ele venderia os remédios “sob medida” para cada uma de nós. A coisa era um tanto quanto estranha, uma vez que o local das palestras era marcado sempre na véspera e por telefone. Nunca se repetiam as palestras em um mesmo local. É claro que o prenderam também…
Algumas senhoras vendiam remédios para nós nos salões de beleza. Falavam que vinham do Paraguai. Eram vendidos por cápsulas, mas o efeito era fraco. Um dia desses, a polícia prendeu mais uma…
Um dia, fui a uma cidadezinha bem distante atrás de um médico milagroso que prometia emagrecer por meio de sementinhas atrás das orelhas e prescrição de fórmula natural. Realizei a consulta. O médico era oriental. Consultório lotado. Falavam que ele atendia até a madrugada. Todas pacientes eram particulares. Pensei que esse médico deveria ser muito rico. Após a entrevista, o médico passou a me colocar as tais sementinhas e prescreveu uma dieta hipocalórica baseada somente em alimentos orgânicos e macrobióticos junto com uma fórmula “natural”. A mesma tinha umas ervas um pouco estranhas, pois nunca havia ouvido falar nelas. O mesmo alertou-me que, por serem difíceis de conseguir, somente determinada farmácia as vendia. Procurei tal farmácia e o preço do remédio era um absurdo! Resolvi dar uma pesquisada nas outras farmácias e qual não foi minha surpresa ao saber pelo farmacêutico da outra farmácia que, a receita desse médico era codificada, ou seja, nada daquilo que ele escreveu existia, eram apenas códigos de medicamentos controlados, que só poderiam ser aviados na farmácia indicada pelo doutor.
Achei aquilo uma sacanagem! Claro que depois de uns dois anos o mesmo também sumiu, assim como a minha esperança de ser bem sucedida no meu calvário do emagrecimento.
Foi então que fiquei sabendo de um grupo de pessoas obesas que se reuniam semanalmente para controlar seu peso. Fiquei novamente esperançosa e fui participar.
No local havia um monte de mulheres e homens obesos e ex-obesos. No palco observei a presença de uma balança. Quando a reunião começou, a coordenadora apresentou-se e passou a pesar cada participante e, a cada quilo perdido a platéia vibrava junto com a pessoa. O problema era quando a pessoa não emagrecia e, então, diante de todos, era constrangida pelo seu insucesso. Achei muito sarcástico aquilo tudo. A pessoa deveria pagar uma mensalidade e comparecer semanalmente com essa pegação no pé de todas as gordinhas. Após a pesagem de todas, a coordenadora passou a proferir uma palestra sobre nutrição e obesidade. Disse que obesidade era uma doença e que não deveria ser tratada com remédios. Somente com dietas e exercícios a pessoa conseguiria emagrecer e manter-se magra. Após isso, começou a dar dicas de pesar todos os alimentos, retirar o miolo do pão para comê-lo à noite, não ingerir bebidas alcoólicas, etc.
Inscrevi-me no programa e passei a seguir a dieta. Na primeira semana de reunião eliminei (aprendi que não se deveria dizer perder o peso, pois tudo que se perde, acha-se) 1,5 quilos. Paguei a reunião e fui embora contente. Na 2ª reunião, perdi (ops!), eliminei ½ quilo e desanimei um pouco. Na 3ª reunião, não havia eliminado nada e minha fome à noite, era enorme. Fui vista como traidora na reunião. Pedi ajuda, mas minhas companheiras falavam que eu deveria fazer mais exercícios. Só que havia um problema: Como fazer exercícios se eu trabalho o dia inteiro, faço faculdade à noite e tenho que cuidar do marido e filhos quando chego cansada à noite?
Fica fácil exigir prática de exercícios, desde que você tenha tempo para despender 2 horas por dia para malhar. Porque, entre sair de casa, malhar, voltar para casa suada, tomar banho e ficar pronta, levam 2 horas, no mínimo, e, esse tempo, eu certamente possuiria somente depois da meia-noite. Lembrei-me do fato de exigir algo de uma pessoa, não se pondo no lugar da mesma. Um médico, certa vez, me receitou um medicamento à base de rimonabant, o qual era caríssimo. O mesmo falou-me das vantagens de utilizar o medicamento, pois não provocaria dependência, diminuiria o colesterol e diminuiria a ansiedade. Achei ótimo, só que o mesmo custava mais de 400 reais o tratamento para 30 dias. Ora! É claro que o ideal seria todo o mundo andar de Mercedes Benz ao invés de um fusquinha, mas isso é possível? Tanto a Mercedes quanto o fusquinha levam ao mesmo local, mas o conforto de um é diferente do outro e, o preço, muito maior.
Dessa mesma maneira, devem pensar os médicos que prescrevem aos seus pacientes medicamentos que, teoricamente, são os melhores… Mas, e o aspecto social? Como é possível para mim, uma trabalhadora que ganha 2 salários mínimos por mês gastar 400 reais mensais em medicação para emagrecer? Assim como eu, creio que a imensa maioria das obesas no Brasil passam pelas mesmas dificuldades e gostaríamos que nossos médicos nos receitassem algo que fosse efetivo, mas com preços factíveis.
Por isso, penso eu, que existe no Brasil um complô da indústria farmacêutica multinacional fazendo campanhas na mídia para falar mal dos remédios manipulados para emagrecer. Aparecem reportagens, nos principais programas de televisão aos domingos, sobre os malefícios desses medicamentos que mostram sempre os piores casos. Aquelas pessoas que passaram mal ingerindo 13 cápsulas ao dia, as anoréxicas, as bulêmicas, etc. Os bons casos nunca são mostrados.
Fiquei sabendo que a cada 1000 pacientes que tomam remédios para emagrecer, um acaba tornando-se dependente. Esse paciente é que irá chegar aos consultórios de alguns médicos psiquiatras mal informados. Com isso, para esses psiquiatras, todos pacientes que tomam remédios de emagrecer têm um altíssimo risco de tornarem-se dependentes. Mas não é dito que a cada paciente que chega a esses psiquiatras com problemas dessa ordem, existem 99 pacientes que conseguiram emagrecer e não tiveram nenhuma intercorrência.
Sabe-se que a indústria da obesidade movimenta milhares de dólares no Brasil ao ano. Quase a totalidade de medicamentos para emagrecer são aviados em farmácias de manipulação. Essas farmácias são propriedades de farmacêuticos que trabalham de forma autônoma. São todos brasileiros que pagam seus impostos e gastam seu dinheiro no Brasil. Imagino a quantidade de dinheiro que circula em todas as farmácias de manipulação no Brasil.
Os grandes monopólios farmacêuticos não devem gostar de saber que essa grana toda não irá parar em seus cofres, pois os medicamentos para emagrecer fabricados por multinacionais no Brasil são, quase todos, bem mais caros que os de manipulação. Daí fica fácil entender porque toda essa guerra de opinião junto aos médicos e à população feita pelos laboratórios para provocar a impressão que os medicamentos de manipulação são nocivos ao povo. O que mais me entristece é ver a máquina do Governo, através dos fiscais da Vigilância Sanitária, trabalhar a favor dos interesses dos grandes laboratórios, o que dificulta cada dia mais, os trabalhos dos médicos e das farmácias de manipulação. Cada dia são baixadas novas portarias restringindo mais o trabalho dessas farmácias, aumentando o controle e desconfiando de todos que trabalham com essas medicações.
Fica clara a intenção de depreciar perante a opinião pública a figura da manipulação no Brasil. Imagino a quantidade de divisas que seriam transferidas aos laboratórios estrangeiros se as farmácias de manipulação deixassem de existir como já é o caso do México e da Colômbia.
A figura do farmacêutico, nesses países, restringe-se a ficar em drogarias atendendo ao público orientando-o como se fossem balconistas. Não exercem seus conhecimentos nos laboratórios de fabricação de medicamentos, somente orientam o uso e as vendas, pois são medicamentos já prontos para o uso.
Se o remédio de emagrecer faz tanto mal para a saúde porque todo o mundo já não morreu? Porque não proíbem seu uso no Brasil . de maneira definitiva, tanto para farmácias de manipulação como para as multinacionais? Porque dificultar tanto os trabalhos somente de uma classe? Porque os fiscais da Vigilância Sanitária não utilizam o mesmo critério rigoroso de fiscalização do armário de medicamentos controlados de uma farmácia de manipulação – nos armários dos grandes hospitais?
Fiquei sabendo que a Vigilância Sanitária de uma cidade fiscalizava somente a temperatura dos freezers e geladeiras de acondicionamento das vacinas na Santa Casa de Misericórdia. O controle de medicamentos supercontrolados como morfina, quimioterápicos, anfetaminas, etc. nem passa pela vigilância. Sabem por quê? Imaginei que a Vigilância não iria ter peito de fechar uma Santa Casa. Como ficaria a pressão política em cima do Secretário de Saúde responsável pelos trabalhos da Vigilância Sanitária? Então, se existem pressões políticas nesse aspecto, não haverá muito mais pressão econômica por parte dos grandes Laboratórios junto ao Ministério da Saúde?
Voltemos às reuniões. Após continuar a perder (às favas com o tal de “eliminar”!) muito pouco, e necessitando retornar a cada semana nessas reuniões, achei o tratamento não muito prático e com resultados mais pelo constrangimento do que pela readaptação a um novo estilo de vida.
Já desanimada com tudo e imensamente gorda, eu estava desistindo… Mas esperança e fome de obeso são sempre as últimas que morrem. Resolvi tentar mais uma vez. Dessa vez seriam terapias holísticas. Fui num iridologista que me prometia emagrecer por meio da análise de minha íris. Colocou-me diante de um computador que tirou uma foto de meus olhos e a ampliou-a numa folha de impressora. Cada pontinho de minha íris ampliada significava um distúrbio, segundo o terapeuta. Descobri um monte de doenças além da obesidade em minha íris! O próprio computador elaborou uma lista de produtos naturais homeopáticos e fitoterápicos para cada tipo de distúrbio. Interessante que, na sala de espera, ao sair da consulta, havia uma farmácia desses produtos naturais. Por isso o diabo do computador me empurrou tanto remédio e descobriu tanta doença! Tremenda picaretagem! Saí indignada!
Já não estava mais acreditando nessa “quadrilha” que só sabia ganhar dinheiro em cima das costas dos obesos. Eu hein!
CAPÍTULO 4
A exploração do obeso
Em uma sexta-feira de primavera, minha prima ligou convidando-me para uma reunião em sua casa para degustação de shakes emagrecedores. Resolvi dar uma olhadinha. Cheguei lá e havia uma porção de senhoras sentadas na sala e, em uma mesa bem arrumada, uma variedade de copinhos servidos com diversos sabores de shakes. Provamos os mesmos e depois de alguns minutos, uns cavalheiros, bem apessoados, vestindo terno e gravata, com um pingente dourado na sua lapela, nos convidaram para assistir a um vídeo. O vídeo começou a mostrar os benefícios de uma ração balanceada para nossa saúde e disseram que os animais quando comem comida de gente fazem cocô fedorento e passam a perder os pêlos e que, quando servimos ração a eles, os pêlos ficam brilhantes e o cocô não fede mais. A conclusão disso tudo era que, nossa comida tem muitas toxinas e que a ração balanceada dos cachorros fazia bem para os intestinos deles. O shake apresentado era ração balanceada para seres humanos e prometia regularizar nossos intestinos (aliás: por que intestino de obeso é sempre preso hein?) e que nossa saúde melhoraria bastante e que perderíamos peso. Fiquei empolgada por que esse argumento era bem forte.
Mas, o próximo vídeo revelou a real intenção da empresa: passou a mostrar pessoas comuns que entraram na empresa e, anos mais tarde desfilavam de Ferrari, iates, etc. casais davam seus depoimentos dizendo como suas vidas tinham melhorado depois que tinham ficado ricos com a empresa. Era uma oportunidade única para qualquer um ganhar dinheiro sem sair de seu trabalho. A meta era montar uma equipe e passar a vender os produtos aos familiares inicialmente, depois aos vizinhos e ir aumentando a equipe. O foco principal tinha deixado de ser saúde e passava a ser tratado como negócio. Vender era o que menos importava, o negócio era expandir a equipe e tornar-se um supervisor, ganhar posições na escala hierárquica, etc. Após vender 30 mil reais se ganhava passeio de cruzeiro pago pela empresa (o preço de um cruzeiro é 30 vezes menor do que isso, ou seja, não necessito me desgastar tanto para conseguir 1000 reais e passear de cruzeiro) enfim, se ganha uma série de regalias cada vez que se empurra goela abaixo o tal kit de produtos caríssimo da empresa. Cada shake custava 80 reais, enquanto que um shake de supermercado custava 15 reais, no máximo. Como fazer para engambelar os trouxas? Inventar um monte de asneiras para que a vítima comprasse os produtos.
O sistema de emagrecimento basicamente consistia em tomar shake de manhã e à noite e almoçar livremente ao meio-dia. Os intervalos eram preenchidos com chás e cápsulas naturais da empresa. O sistema parecia ser ótimo, só que não levava em conta nossa compulsão alimentar, nosso vício pelo pão. Basicamente funcionava como o discurso do endocrinologista ou da nutricionista: Você seguia essas instruções que o resultado era batata!
Batata frita isso sim! Sempre o mesmo problema: mandar seguir instruções… Ora! Quantas vezes já disse que meu problema não é saber quais instruções seguir, isso já sei de cor e salteado. Meu grande e principal problema é não conseguir largar o pão à noite. Não consigo seguir tomando shake à noite para o resto da vida. Esse é o problema central: como fazer um obeso chegar a casa à noite sem sentir ansiedade e vontade de comer pão? De certeza: quem descobrir isso ganhará o Nobel da Medicina!
Larguei a tal equipe por não aceitar a falta de consideração com os últimos da linha. Não existia a devida preparação da pessoa comum em saber lidar com as angústias sofridas pelos obesos. Essa gente realiza cursinhos em finais-de-semana e são iguais àquele pessoal de laboratório que visitam os médicos nos consultórios. Têm um discurso decorado e se você perguntar alguma coisa fora, pronto! Acabou-se o conhecimento…
Ora! Uma pessoa interessada em crescer sua equipe deve aprimorar suas táticas comerciais, mas também seu embasamento científico para lidar com pessoas extremamente complicadas e fragilizadas que são os obesos. Esses grupos são especialistas em abordar nosso ponto mais vulnerável: nossa auto-estima – e, qualquer promessa de melhoras, irá ser acolhida com a maior boa vontade por nossa parte. Somos manipulados por interesses mesquinhos de gente que só quer tirar nosso dinheiro e nos fazer de otários. Perca peso: pergunte-nos como! Não preciso perguntar, já sei a resposta; tirando todo o meu dinheiro até eu morrer de fome! Daí sim eu emagreço… De inanição!
Nos anos 1990 ouvi falar do surgimento da medicina estética. Uma nova proposta de tratamento médico estético abrangente que não realizava procedimentos invasivos. Fui conferir. Pra variar: consultório lotado. O médico era um garoto recém formado. Sabia bastante a respeito de obesidade. Receitou-me uma fórmula de emagrecer a qual deu um resultado incrível no primeiro mês. Perdi 8 quilos! Na consulta retorno, o mesmo passou a preocupar-se com minha (possível) flacidez e minhas gorduras localizadas. Ele disse que deveria submeter-me aos aparelhos de medicina estética tais como ultra-som, corrente russa, endermologia, etc.
O sistema de tratamento era realizado em pacotes semanais e depois que você fechava o pacote de procedimentos o médico sumia da sua frente e as esteticistas passavam a realizar os tratamentos. Somente após concluir o pacote voltava a rever o médico para ele avaliar-me e encontrar mais um defeitinho para refazer novo pacote.
Outro tratamento que ele havia recomendado era realizar soroterapia. Consistia em infusões semanais de soros contendo substâncias ativadoras do metabolismo para acelerar o emagrecimento. O tratamento era bem caro. As obesas ficavam em uma sala cheia de suportes de soro e cadeiras para sentarem-se. Nelas, várias mulheres recebiam soro pela veia e, ao concluírem, deveriam sair rapidinho para darem vez para outras. Era como uma máquina de emagrecer várias pessoas ao mesmo tempo.
Parecíamos uma legião de mulheres a realizar pacotes de tratamentos em nossos corpos com aparelhos que só havíamos ouvido falar em revistas. Parecia que, a cada dia, apareciam novos aparelhos e, a necessidade de tratamento, aumentava cada vez mais. Não contente com seus rendimentos em meu corpo, o doutor passou a dizer-me que estavam se formando muitas rugas em meu rosto e eu deveria aplicar toxina botulínica. Não agüentava mais o orçamento. Minhas finanças não estavam alcançando toda aquela tecnologia. Finalmente, atingi meu peso ideal e passei para a fase da manutenção. O médico me disse que eu utilizaria mais 6 meses de medicação e que depois disso, eu estaria reeducada e apta a seguir sozinha meu controle de peso sem ajuda de remédios. Dizia ele que eu iria “aprender” a comer.
Tomei os seis meses de medicação e, conforme o médico parei seu uso. Mantive a motivação por certo tempo, pois ao interromper o uso da medicação observei que meu peso continuava o mesmo e isso serviu de motivo para eu acreditar mais ainda que eu tivesse aprendido a comer . Mas tal foi minha surpresa ao notar que, após 2 anos, havia recuperado todo meu peso perdido durante o tratamento. Fiquei com vergonha de retornar ao médico.
Estava errada a orientação da manutenção. Nosso organismo, ao engordar, grava o peso pesado na “memória metabólica” do corpo e essa memória permanece dentro dele por 2 anos, no mínimo. Por isso, é ilusão achar que se vai aprender a comer. Aprender o quê? Que depois do tratamento não iremos gostar de comer pizza ao chegar a casa à noite? Ou, que iremos ficar imunes para sempre ao pãozinho?
Grande bobagem… A verdade é que quase sempre iremos ser viciados na farinha à noite. Dificilmente iremos aprender a comer. Já aprendemos. O fato é que não se consegue controlar a ansiedade à noite. Ninguém acorda pela manhã e decide: hoje eu não irei amar meus filhos e meu marido. Isso é um sentimento e, sentimento, a gente não controla. Assim é a ansiedade pelo pão à noite. Não podemos dizer que não iremos senti-la. Ansiedade é sentimento e não conseguimos decidir quando a sentiremos ou não.
Continuaremos credores de cuidados médicos durante toda fase de manutenção de peso. O profissional que lida com obesidade, após exaurir os recursos financeiros do paciente obeso não deveria “tirar seu corpo fora” e passar a responsabilidade do tratamento ao paciente. Ele é o responsável pelo acompanhamento do tratamento e esse tratamento não terminará ao atingir o peso ideal: deverá continuar por, no mínimo 2 anos ou mais – quiçá, a vida toda.
Outra besteira que cometi foi sentir vergonha de retornar àquele médico. Vergonha é o reverso do orgulho em assumir seus atos e seus fracassos. O médico fica numa situação bem confortável ao não tomar conhecimento de seus pacientes que ficaram obesos novamente. Não incomodam ao não retornarem. Devemos saber que a recaída faz parte de nossa doença e que, se falharmos em algum ponto, nosso médico deverá nos ajudar a recomeçar pacientemente. Meu médico atual me diz: mesmo que você caia 20 vezes pode ser que a 21ª. Seja a sua vez! Não podemos ter a certeza de acertar sempre, mas, continuar tentando, podemos sim.
Já sem dinheiro no bolso resolvi tocar a vida. Acordava todo o dia às 6 da manhã e não conseguia tomar café da manhã, pois não sentia fome. Levava as crianças à escola e seguia para o serviço. Trabalhava até 1 da tarde e almoçava carnes com saladas ou comia um sanduíche. À tarde, trabalhava até as 18 horas, saindo correndo para passar em casa e ver as crianças. Meu marido as pegava na escola e à tarde elas ficavam sozinhas em casa . Comia pão preto com margarina light e corria para a faculdade. Saía da faculdade às 22 horas, chegando a casa “morta de fome” e cansada. Comia o que tinha pela frente. Às vezes, meu marido e as crianças pediam uma pizza e eu comia as sobras da mesma. Quase sempre era mais prático comer um pãozinho e ir dormir. Não iria para o fogão àquela hora da noite!
Sabia que estava engordando, e muito, mas fazia como não estivesse notando. Minhas roupas já não serviam mais e passei a utilizar minhas batas, minhas roupas escuras, calças legging, cangas e lenços amarrados. No verão, minhas coxas assavam muito. A circulação das pernas era ruim e sentia dores nas mesmas. Estava formando muitas varizes e celulites. Meus joelhos doíam e meu calcâneo também.
CAPÍTULO 5
A deterioração da saúde física e mental

A pressão arterial estava alta e comecei a ter diabetes. Fui a um cardiologista e, depois de série de exames, meu colesterol estava alto, triglicerídeos também altos, tireóide estava normal e glicose muito alta. Passei a fazer uso de medicamentos para a pressão, circulação, diabetes. Gastava bastante em farmácia.
Meu ginecologista disse que eu tinha síndrome dos ovários policísticos e que, obesa desse jeito, minha menstruação tornava-se irregular. Meus cabelos eram bem pretos e oleosos. Comecei a ter problemas de pêlos no rosto e no corpo. Minha coluna doía bastante.
Meu marido me convidava para sair, mas eu dava desculpa que não estava me sentindo bem, ou que não tinha roupa adequada, etc. A verdade é que eu sentia uma vergonha incrível de aparecer em público, pois sentia que todas as mulheres, ao me olharem, iriam comentar entre elas o quanto eu estava gorda e desleixada.
Sentia vergonha de me despir em frente ao meu marido. Ele chama-se Paulo e é gordinho também. Pois é, eu sentia vergonha de mostrar meu corpo ao Paulo e minha libido sexual era baixa. Paulo começou a reclamar do pouco sexo que fazíamos e eu não conseguia dizer a verdade a ele. Começamos a brigar muito e descobri que o mesmo passou a manter um relacionamento com uma colega de seu trabalho. Não lhe falei nada, pois sabia que tinha minha parcela de culpa nisso tudo e que iria fazer o possível para reconquistar o amor de meu marido.
Fui ao centro da cidade comprar algumas roupas, pois todas as minhas já estavam apertadas. Fui ao melhor shopping da cidade e entrei em uma butique de marca para comprar uma calça jeans. Adorei uma exposta na vitrine. A atendente foi muito gentil e me perguntou o que desejava e apontei-lhe o modelo. Ela fez um gesto de desconsolo e disse que aquela peça não ficaria bem em meu corpo. Perguntei-lhe porque e ela saiu na tangente dizendo que, na verdade, não possuía numeração 48 para aquele tipo de modelo. Senti “roncar minhas tripas” de tanta raiva e tristeza ao mesmo tempo ao saber que grifes famosas não fabricam numeração grande para seus usuários. Em casa, refletindo, cheguei à conclusão que essas empresas só fabricam roupas com manequim justo para que seus usuários sejam sempre pessoas magras, as quais possam desfilar seus produtos sem o constrangimento de ter uma obesa representando a sua grife.
Saí dali triste e entrei na loja de obesos. É engraçado que a maioria das lojas de obesos só têm roupas que aparentam pessoas de mais idade e cafonas! Mostram uns modelos démodé horrorosos. Outra coisa que descobri é que obeso odeia ser tratado como obeso. Ele deseja ser uma pessoa igual a qualquer outra, portanto, essas lojas não levam isso em conta. Outro martírio para os obesos são as academias. Só existem pessoas magérrimas usando roupas coladíssimas em seus corpos deixando os homens babarem cada vez que passam por eles. Não vou à academia por vergonha de estar sendo diferente dos outros.
Assim como eu, as pessoas não têm idéia da quantidade de obesos mórbidos que ficam trancados em suas casas até morrerem, por vergonha de saírem para a rua. As estatísticas não levam em conta essa quantidade de obesos escondidos que são sustentados por suas famílias. Em geral, são pessoas pobres que moram em vilas e subúrbios das cidades.
A indústria deveria focalizar o obeso como um marginalizado da sociedade que almeja imensamente ser tratado como uma pessoa comum. Não deseja regalias, favores ou evidências. Deseja a mediocridade. Mas a mediocridade é difícil de atingir, pois o obeso deseja adaptar-se ao mundo magro e ser tratado como uma pessoa normal. O problema é que a indústria não desenvolve coisas para adaptar a vida do obeso ao mundo magro e só oferece-lhes coisas para pessoas magras.
Será que os magros fazem idéia da dificuldade do obeso em sentar-se numa cadeira da praça de alimentação de shoppings? Será que faz idéia como o obeso pode ficar sentado em uma poltrona superapertada no meio de outras duas em um vôo intercontinental de 12 horas de duração?
Muitas vezes, eu já pensei em submeter-me à cirurgia bariátrica, que é aquela em que, ou se reduz a capacidade de armazenamento do estômago ou se faz um by-pass gástrico desviando parte da alimentação do seu trajeto normal. Essas cirurgias estão indicadas para obesos mórbidos que não obtiveram sucesso com mudanças de hábitos e tratamento tradicional medicamentoso.
Obesidade mórbida é definida como aquela em que o Índice de Massa Corporal – IMC (peso dividido pelo quadrado da altura) é igual ou maior que quarenta. Meu IMC era 35 (95,5 kg para 1,65 metros de altura), logo eu não era candidata à cirurgia. Sei de pessoas desesperadas que, para conseguirem convencer seus médicos a lhes operar, fazem regimes de engorda para atingir IMC 40.
Os riscos inerentes à cirurgia são muitos. Meu médico atual disse que um obeso mórbido que se submete à cirurgia bariátrica tem riscos associados à entubação traqueal, hipertensão trans-operatória, arritmias, acesso venoso difícil, riscos de infecção hospitalar aumentada, deiscências de sutura, atelectasias pulmonares com pneumonia pós-operatória e, por último, a mais temida de todas: embolia pulmonar que leva à morte do paciente.
Os custos de uma cirurgia dessas é um verdadeiro absurdo. Em alguns casos é cobrado algo em torno de 25 mil reais para cirurgia particular. A fila de espera pelo SUS é enorme, e conseguir autorização desta cirurgia por convênios é uma tarefa espartana.
E, por fim, para aniquilar de vez qualquer esperança de eu realizar uma cirurgia desse tipo, existem estudos que mostram que quase 100%, dos casos operados voltaram a engordar após 10 anos. O paciente “aprendeu” a enganar sua própria cirurgia comendo alimentos altamente calóricos na forma líquida ou pastosa, tais como leite condensado, sorvetes, doces, chocolates derretidos, etc.
A perspectiva de tratar o obeso mórbido através de mutilação do sistema digestivo é totalmente errada a meu ver e está justificada apenas nos casos que visam salvar o paciente da morte iminente. A obesidade não está em nossa gordura acumulada na barriga ou em qualquer outra parte de nosso corpo… Ela está em nosso sistema emocional. Portanto, qualquer método que vise tratar obesidade deverá focar o comer compulsivo que caracteriza nossa ansiedade. Não adianta sacar fora nosso estômago. Comeremos de uma forma ou de outra, enquanto existirem fatores que desencadeiem nossa compulsão. Todo o tratamento para obesidade deveria ser nos moldes dos tratamentos de alcoólicos ou dependentes químicos: aceitação, humildade, honestidade e mente aberta. Evitar a 1ª mordida de farináceos ou doces após o almoço, prevenção de recaída e tratamento da ansiedade para sempre. Só assim eliminaremos definitivamente a gordura de nossa mente e do nosso corpo.
Sem a possibilidade de realizar cirurgia e completamente obesa, estava sem esperanças e comendo tudo pela frente. Minha família dizia para mim:
– Vais criar vergonha na cara! Feche a boca que você emagrece!
Minhas amigas diziam a mesma coisa. Meus colegas de trabalho também. Médicos e nutricionistas confiavam que eu iria conseguir executar as suas dietas. Ou seja, achavam que era questão de querer colocar em prática. Todos em minha volta me pressionavam a emagrecer por conta própria. Remédios eram para gente louca que gostava de veneno de rato.
Mas, a pior parte de tudo isso, foi saber que o preconceito da família, da sociedade e dos profissionais não era maior que o meu próprio preconceito em relação à obesidade. Eu exigia de mim mesma que eu me controlasse. Não era possível eu não conseguir fechar a boca. Prometia que hoje eu não iria comer pão à noite e, após comer frutas, bife e ovo, faltava uma coisa em mim… Ia deitar e me acordava com um buraco no estômago. Ficava rodeando a geladeira até comer um pãozinho com margarina (às 3 da manhã) e ficava bem saciada conseguindo dormir.
No outro dia me justificava dizendo que foi só um pedacinho e que, afinal, não era tão ruim assim. Eu racionalizava minhas escapadas dizendo que havia tido um dia atribulado, tinha brigado com o patrão, meu time tinha perdido e que meu primo de 3º grau tinha morrido há 2 anos, enfim: tudo era motivo para eu justificar meu comportamento incontrolável. Simplesmente não conseguia controlar minha fome depois das 5 da tarde ao chegar do trabalho…
Eu tinha que me convencer, de uma vez por todas, que precisava de ajuda, mas de uma ajuda que não fosse preconceituosa, excludente e arbitrária. Precisava de um tipo diferente de profissional, uma pessoa que já tivesse sido obeso a vida toda e que me entendesse. Mas, onde estaria esse abençoado?
Não suportava mais a “puxada de sardinha”, ou seja, cada profissional defendendo seu lado, cada um dizendo que tinha a solução dos problemas associados à obesidade (o personal trainer dizia que o problema se resolvia pelo exercício; o médico, por meio da medicina; a nutricionista, por meio de dietas; o fisioterapeuta, por meio de drenagens e massagens; os curandeiros e dinheiristas, por meio de alguma enganação qualquer). Ninguém falava de um programa abrangente e multidisciplinar onde cada especialidade somava seu trabalho ao da outra resultando em um programa de apoio integral para obesos.
CAPÍTULO 6
Uma nova maneira de tratar obesidade

Foi então, naquele belo sábado, que encontrei minha amiga, a qual não via a um ano, no centro da cidade. Ela estava magérrima! Linda, feliz, poderosa e exuberantemente realizada. Contei-lhe toda minha tristeza e angústia por continuar obesa após tantos tratamentos. Ela ouviu-me pacientemente e, após enxugar meu pranto, contou-me sua história.
Ela havia ouvido falar de um médico que realizava tratamento para obesidade em uma pequena cidade do interior. Ele tinha má-fama entre o meio médico por não seguir o tratamento ortodoxo. O diferencial em seu tratamento era que ele dava manutenção de peso com acompanhamento por toda vida. Isso me interessou bastante, pois todos os médicos que eu conhecia me diziam que, após 6 meses de manutenção, eu teria condições de seguir magra por conta própria. Além do mais, ele foi um obeso desde a infância e estava há anos mantendo seu peso por meio de seu método.
Marquei consulta no mesmo dia e no dia seguinte fui consultar. Seu consultório não era nada suntuoso ou chique. Não era como aquela primeira clínica de medicina estética, na qual o médico tentou me empurrar os mais variados e diversos tratamentos com aparelhos de última geração. Madeirames nobres, obras de artes, mármores e muito luxo. Nada de laser, nada de radiofreqüência ou endermologia por pacotes: simplesmente a secretária, a sala de espera com alguns pacientes e o médico.
O médico chamava-se Dr Rodrigo Delgado. Achei ironia do destino ele ter um sobrenome assim. Ele pediu-me para entrar e, gentilmente, para sentar-me. Ele aparentava 40 anos de idade, cabelos grisalhos e ondulados, olhos pequenos, lábios finos e era muito simpático. Em sua mesa havia uma foto de sua família. A sala era pequena, porém aconchegante. Nada muito requintado. Não haviam aparelhos para medir a quantidade de gorduras, ou qualquer outra tecnologia para impressionar. Apenas a figura do médico. Forte, mas sereno. Sério, contudo feliz. Ele tinha algo que não havia nos demais médicos que eu havia consultado: competência e habilidade associadas à compaixão. Era impossível não simpatizar com ele.
Começou cumprimentando-me e disse:
– Então, como é que vai essa moça?
Agradeci a palavra moça, afinal, eu já estava nos 40 anos. Respondi:
– Gorda e comendo muito doutor…
Ele me pesou e confirmou meus 95,5 kg. Anotou meus dados em sua ficha. Calculou meu IMC e disse-me:
– Olga, conte-me como é que você chegou a esse peso, o que você já fez a respeito e o que é que você pretende.
Contei-lhe toda minha história, meus desencantos, minhas angústias, meus tratamentos frustrados, minha vergonha, enfim: abri meu coração a ele.
Ele ouviu pacientemente toda minha fala e, após eu desabafar, começou a falar:
– Olga, em primeiro lugar, você não tem culpa por ser obesa. Se você pudesse escolher, você teria escolhido não ser obesa. Você não teve escolha. Você é uma doente. Obesidade é doença e não depende de nós tornarmos ou não obesos.
Aquelas palavras pareciam bálsamo precioso que escorria de sua boca e se espalhava por todas as fímbrias de meu ser. Que alívio saber que o que eu tinha era doença e não defeito de caráter. Ele seguiu dizendo que um obeso é simplesmente um homem ou uma mulher cuja vida é controlada pela obesidade. Estava nas garras de uma doença progressiva, incurável e, muitas vezes, fatal. Essa doença nos isolava das pessoas e do mundo exterior. Alguns obesos comiam compulsivamente, e, mesmo assim, não se consideravam obesos. Seus sentimentos mais elevados, como a consciência e a capacidade de amar, foram fortemente afetadas pela obesidade. Não tinham mais habilidade para viver. O espírito estava em pedaços. O médico prosseguia:
– O obeso está constantemente em busca de respostas – aquela dieta, aquele médico, aquela medicação que irá resolver tudo. Todas essas experiências mostram que há algo de errado na vida do obeso. Estão sempre querendo uma saída fácil. Alguns pensam até em suicídio. Todas essas tentativas são, geralmente, ineficazes e só contribuem para que eles se sintam ainda mais inúteis. Quando procuram ajuda, querem apenas para aliviar o excesso de peso sem tocar no ponto principal que é a aceitação do problema.
– Mas, doutor, o que podemos fazer diante disso? Perguntei-lhe.
– Olga, assim como outras doenças incuráveis, a obesidade pode ser detida. Entendo que não há nada de vergonhoso em ser um obeso, desde que ele aceite honestamente o seu dilema e comece a agir positivamente. Estar disposto a admitir, sem reservas, que é “alérgico” aos farináceos e aos doces após o almoço. Muitos pensam que, por possuírem pouco excesso de peso, não têm problema com obesidade. Mesmo quando os outros lhe dizem que estão gordos, estão convencidos de que eles é que têm razão e o mundo é que está errado. Usam essa idéia para justificar seu comportamento autodestrutivo, mas começam a perceber que a obesidade está os matando, muito antes de admitirem a qualquer outra pessoa. Percebem que se tentam permanecer magros, não conseguem. Começam a suspeitar que estejam perdendo o controle sobre a obesidade e que não possuem mais forças para enfrentar o problema.
– Pois é doutor, tive que chegar ao fundo do poço antes de estar disposta a mudar. Senti, por fim, motivada a procurar ajuda. Minha obesidade me escravizava. Era prisioneira da minha própria mente e condenada pela minha culpa. Perdi a esperança de, algum dia, poder ser magra. Minhas tentativas de emagrecer sempre falharam, causando-me dor e miséria.
– Exatamente! Disse ele – Como obesa, você tem uma doença incurável chamada obesidade. A obesidade é crônica, progressiva e fatal. No entanto, é uma doença tratável. Para mim, pouco importa a causa de sua obesidade: genética, pós puberal, ansiedade pré-concursos, casamento, mudança de casa, gravidez, menopausa, tireóide, ovários policísticos, abandono do cigarro, etc. o que me interessa é o seu tratamento. Você deverá enfrentar duas realidades perturbadoras:
1ª. Embora você não tenha sido responsável pela sua doença, será responsável pelo seu tratamento.
2ª. Você não poderá mais culpar pessoas, lugares ou coisas pela sua obesidade. Necessitará encarar seus problemas e seus sentimentos.
Para iniciar seu tratamento você deverá seguir três princípios indispensáveis: honestidade, perseverança no propósito e paciência. A abordagem da doença será de maneira completamente realista. O método é prático. A única maneira de não voltar à obesidade é não dar aquela primeira mordida em doces, grãos e farináceos (pães, torradas, biscoitos, pizzas, massas, sanduíches, tortas, pastéis, etc.) após o almoço. Esse almoço poderá ser até as 2 horas da tarde. A mordida que você dá inicia o processo compulsivo e você não consegue parar mais. Diga para você mesma: hoje à noite eu não posso comer isso, mas guardarei um pedaço para eu comer amanhã no almoço. Pensar que o pão preto ou integral é diferente dos outros farináceos fez muitos obesos recaírem. Muitos encaravam a linha integral de pães, torradas e biscoitos separadamente. Você não pode se iludir. Pão preto é farinha. Você sofre de uma doença chamada obesidade e tem que se abster de toda farinha, grão e doce que puder depois do almoço.
Você deverá tomar cuidado com as pessoas. Elas não entendem que seu problema é doença. Sempre pensam que é defeito de caráter. Alguns médicos também pensam assim. À medida que você for emagrecendo pode ser que seu esposo comece a sentir ciúmes de você e passe a trazer pizzas para casa ou convidá-la a saírem para jantar em um restaurante de massas. Isso é normal, apenas esteja atenta. Suas amigas poderão sentir ciúmes de você e passarão a depreciar seu tratamento. A mesma coisa poderá acontecer com sua mãe ou irmãos. Seus colegas de trabalho poderão dizer que depois que você começou a emagrecer você ficou mais ranzinza e pouco divertida. Algumas pessoas cairão no ridículo de dizer que você tem AIDS.
Depois de uma breve pausa, ele me olhou com olhar preocupado e disse:
– Olga, conte sobre a medicação somente a pessoas necessárias, não diga que você está tomando medicação para emagrecer, pois devido ao preconceito ninguém irá entender que você deverá seguir tomando medicação mesmo depois de magra. Diga apenas ao seu anestesiologista, caso necessitar de cirurgia por um motivo qualquer.
É preciso entender que a sociedade como um todo e as pessoas particularmente envolvidas com você têm uma má idéia a respeito da obesidade e desconhecem a indicação correta dos medicamentos para emagrecer. Ajude-me a começar a mudar esta posição. Ainda somos poucos, nós que entendemos o real sofrimento do obeso e a necessidade que ele tem de tratamento. Avalie o momento certo de contar aos seus familiares sobre o seu emagrecimento, a necessidade do uso da medicação adequada e do apoio deles para que você siga em frente. Se consegui sensibilizar você, creio que você saberá tornar sensíveis aqueles que mais a amam e precisam também emagrecer.
Os psiquiatras são um caso à parte no tratamento da obesidade. Deveriam ser eles e não os endocrinologistas, os encarregados a tratarem obesidade, pois, dificilmente, a obesidade é causada por causas endócrinas e sim por transtornos do comer compulsivo. Apenas 1% das endocrinopatias (doenças de origem endócrina) é responsável pela obesidade. Em minha experiência, verifico que os miomas uterinos e a síndrome dos ovários policísticos são mais freqüentes em causar obesidade do que as doenças da tireóide. Isso é importante saber para não nos iludirmos em achar que, a presença de exames de tireóide normais, estaremos seguros de não haver outras causas envolvidas. Ele seguiu dizendo:
– Mas, ao contrário do que se esperaria, os psiquiatras têm extrema dificuldade em aceitar medicação para tratar obesidade. Facilmente eles prescrevem medicamentos para qualquer outra doença psiquiátrica, mas, quanto a obesidade, eles ainda desconsideram as queixas dos pacientes julgando que forma física não é importante e que, uma pessoa que valorize a magreza não é muito certa da cabeça. Para eles, deveríamos nos aceitar como somos. Mas, com isso, eles colocam na vala comum aquelas pessoas que realmente necessitam emagrecer. Ao tratarem os obesos como dependentes químicos de anfetaminas os mesmos procuram evitar que seus pacientes utilizem medicação para emagrecer. O que, desconhecem, muitas vezes, é que a taxa de dependência química de anfetaminas em quem utiliza essas substâncias é por volta de 1%. Ora, como os psiquiatras lidam somente com os pacientes que se tornam dependentes, eles se esquecem dos outros 99% que emagreceram com esse tipo de medicação sem qualquer tipo de complicações. Por isso, tome cuidado ao escolher seu psiquiatra. Prefira alguém atualizado no tratamento da obesidade. E por último, lembre-se: Assim como os dependentes químicos e alcoólatras não falam às pessoas que eles estão em tratamento devido ao preconceito com que os sobrecarregam, o obeso também necessita não falar para ninguém que está realizando tratamento de obesidade, pois a sociedade não entende as angústias por que passam os obesos. Diga apenas para outro obeso que entenda o que você está passando sobre o seu tratamento. Leve adiante essa mensagem.
Após essas explicações decidimos que eu deveria manter como meta atingir os 68 quilos, pois meu IMC era 35 conforme ele explicou-me. Seria melhor manter um peso fácil de atingir do que aquele peso fixado em tabelas de pessoas que nunca foram obesas.
Perguntei a ele a razão pela qual ele não costumava realizar o teste de bioimpedância como os demais médicos da área. Ele me respondeu:
– Acredito ser desnecessário aferir a quantidade de massa gorda e massa magra de uma pessoa que se acha obesa. Para ela, qualquer quantidade medida pelo aparelho irá demonstrar aquilo que a pessoa já sabe: que necessita perder peso. Seguir tabelas fixadas por aparelhos é uma atitude temerária, pois todo aparelho está programado a fornecer tabelas de pesos ideais segundo modelos de pessoas que nunca foram obesos. Desse modo, se tentarmos atingir o peso de uma pessoa que nunca foi obesa o resultado será ridículo, de sorte que ficaremos parecendo magros demais. Essas tabelas não levam em consideração que uma pessoa obesa adquiriu massa óssea considerável que não desaparece com o emagrecimento. Assim, o peso que o obeso deve atingir sempre está um pouco acima das tabelas existentes.
Depois dessa explicação, o médico continuou sua preleção:
– O obeso é um paciente que desenvolve uma estrutura óssea maior, portanto o peso alvo não pode obedecer a uma tabela de “normalidade”; tende a ser um pouco maior, disse o médico.
– Mas depois eu poderei emagrecer mais?
– Claro, disse ele. O emagrecimento não segue um gráfico em linha reta onde a cada semana você perde a mesma quantidade de peso. O gráfico é em forma de escadaria: você fica determinado período em um peso e “salta” para outro inesperadamente. Isso serve tanto para emagrecer como para engordar. Por isso, não confie no fato de você dar uma “escapadinha” na dieta e não engordar, pois o efeito é acumulativo até dar o “salto” para cima. Mas, não desanime também quando você estiver fazendo tudo certinho e não observar resultado na balança. Você emagrecerá no ritmo do seu corpo e não da sua vontade. Procure, por isso, se pesar somente uma vez por semana para não ficar refém de falsas expectativas em se pesar diariamente. Eu recomendo se pesar sempre nas sextas- feiras pela manhã.
– Outra recomendação, disse o médico: cuidado com o fim de semana; você não deve fazer dieta durante a semana toda para sucumbir e escapar no sábado ou domingo, neutralizando, dessa forma, toda a perda de peso daquela semana. Lembre-se: assim como você irá armar-se contra a obesidade, seu corpo, de maneira errada, irá armar-se contra o emagrecimento; ele pensa que você está sofrendo de carência alimentar e, cada vez que você comer algo proibido, o organismo acumulará vorazmente aquelas calorias para guardá-las em suas células gordurosas. O metabolismo torna-se lento para economizar calorias no emagrecimento, por isso, de tempos em tempos, você irá se internar na UTI do obeso que lhe explicarei mais adiante.
Pensei comigo mesma que estava diante de uma proposta realmente honesta de tratamento para meu problema de obesidade. Aquele médico falava um idioma que eu conhecia: ele falava dos meus problemas reais. Parecia que ele conhecia minha vida sem eu revelar nada a ele. Por um momento senti a sensação de ele ser um mago ou coisa parecida, mas sabia que minha obesidade agia de forma semelhante para muitas pessoas. Eu não estava sozinha. Meus sintomas não eram exclusivos, minha falta de persistência, minha preguiça faziam parte de uma doença igual a de muitos outros obesos. Ele continuava a explicar:
– Olga, enfim é a obesidade fruto de uma ansiedade que ataca mais no final da tarde ou início da noite quando se chega em casa fragilizado pelo cansaço do trabalho e sente-se fome que sacie e recompense de forma rápida o estresse do final do dia. Em geral são carboidratos. Essa fome nunca ataca pela manhã. No almoço o obeso come pouco. Come mais à noite. Isso o leva a engordar. O organismo dele “grava” na memória do corpo esse sobrepeso depois de, no mínimo, 2 anos com essa rotina e não adianta emagrecer e achar que se está com o problema resolvido, pois a compulsão pelo carboidrato permanece mesmo com o corpo magro. Dois anos é o tempo mínimo que o organismo necessita para esquecer o sobrepeso inicial e consolidar o peso pretendido, portanto, dois anos é o tempo mínimo que os obesos necessitam para permanecerem magros realizando tratamento.

CAPÍTULO 7
Iniciando o tratamento

Doutor Rodrigo continuava a consulta referindo-se ao tratamento propriamente dito:
– O tratamento da obesidade é realizado por meio de um tripé indivisível: diminuição da ingesta de carboidrato após o almoço, exercícios balanceados e uso de medicação para ansiedade. Entendo que, muitas vezes, o paciente não tem condições de realizar exercícios pela própria condição de vida. Logo, ele deverá aceitar a ajuda da medicação principalmente nesses casos. Tarefas simples como subir escadas, caminhar até o serviço, são fáceis de serem realizadas e podem servir para a queima calórica. É necessário que você mantenha metas factíveis que possam estar sendo realizados mesmo após dez anos depois do início do tratamento. Não irá adiantar você freqüentar academias diariamente por seis meses, se logo desistir delas logo depois. Melhor seria estar caminhando duas vezes por semana e poder manter essa atividade por anos.
Em relação à medicação, mantenho como rotina levar em consideração 2 coisas:
1. A sua saúde.
2. O desejo de todo paciente obeso, já desanimado com seu problema, de emagrecer rápido para animar-se e, desse modo, aderir melhor ao tratamento.
De sorte que, para atingir essas duas metas eu divido o tratamento em duas etapas:
a) primeira etapa é aquela conhecida como o emagrecimento propriamente dito
b) segunda etapa, é a manutenção à longo prazo (mínimo 2 anos).
Para lograrmos êxito nessa missão, necessitaremos utilizar medicação efetiva que diminua o apetite e queime calorias, aumentando o metabolismo do organismo. De nada adianta se esforçar se você tem metabolismo lento. O corpo irá reagir muito lentamente e você irá desanimar com a perda prolongada. Outra coisa: vamos manter nossa linguagem sem modismos: você irá perder peso sim, e não somente eliminar peso. Sabe por que você deve dizer isso? Para não se iludir achando que eliminando peso você não correrá o risco de recuperá-lo. Você sempre irá correr o risco de achar seu peso novamente, por isso, você irá perder peso um dia de cada vez. Não existem garantias de manter-se magra para sempre. A vigilância deverá ser para sempre.
Iniciaremos nossa medicação tomando-a, na primeira semana, somente pela manhã, às 10 horas. Isso é importante para o organismo ir se acostumando aos poucos com a medicação e não sofrer muitos efeitos colaterais. De modo que, iniciando somente pela manhã suas chances de fazer um bom tratamento serão maiores. Após a 1ª semana de tratamento, você irá passar a tomar a medicação às 10 e 16 horas. Dessa maneira seu emagrecimento será mais rápido e efetivo. Procure não tomar por conta própria o remédio somente pela manhã, por medo ou para economizá-lo. Isso não funciona e prejudica seu tratamento, pois tomando somente uma vez ao dia seu medicamento, o organismo criará certa resistência a ele e você não irá emagrecer tão rapidamente. Essa situação é semelhante ao caso de tomar antibióticos pela metade ou em horários errados ou alargados. Dessa forma a bactéria da infecção irá se acostumar ao antibiótico e a febre voltará. Assim é tomar medicamento para emagrecer pela metade: seu corpo fica resistente e você pára de emagrecer.
– Ok, doutor! Mas quais são os efeitos colaterais da medicação? Quais são seus riscos, perguntei.
– Em primeiro lugar, é importante saber que riscos existem por toda a parte, até mesmo em atravessar a rua ou tomar aspirina demais. Você deve ser prudente, como sempre. Você me procurou para eu ajudá-la. Não foi eu que fui atrás de você. Portanto, se meu método de tratamento é alopático e não homeopático, os efeitos colaterais sempre irão existir, mas devemos saber como manejá-los. Você não deverá tomar medicação estando grávida ou amamentando. Não deverá ingerir bebidas alcoólicas. Não deverá misturá-lo com antibióticos. Outros medicamentos como: antiinflamatórios, antidepressivos, ansiolíticos, anti-hipertensivos, hipoglicemiantes, medicamentos para o coração, asma, enxaqueca, anticoncepcionais, entre outros; não interferem no tratamento e nem este interfere nessas medicações. Você poderá usá-los normalmente.
Um aspecto muito importante no começo de nosso tratamento é saber manejar o medo da medicação. Como sabemos, existe um medo muito grande em relação aos medicamentos para emagrecer. Não sei se é por pressão da mídia, ou se é por outros interesses. O fato é que é a obesidade que mata, e não a sua medicação! Você tem que saber que o seu caso é muito grave. Se você fosse uma garota de 18 anos, fazendo seu primeiro tratamento, jamais eu prescreveria medicação para você. Portanto, você tem clara indicação de fazer tratamento medicamentoso. Segundo ponto: se o medicamento fosse isso tudo que falam dele, o mesmo estaria proibido pelo Ministério da Saúde, o que não é o caso. E, por último, você tem que saber que o medo excessivo faz com que, psicologicamente, você crie uma barreira à medicação. Fica blindada, de corpo fechado ao medicamento, impedindo que ele trabalhe em você normalmente. Pare de brigar com a medicação e não a veja como inimiga sua, mas o contrário: encare o remédio como parceiro seu na luta contra a obesidade. Você não é obrigada a iniciar o tratamento com remédios, mas após decidir iniciá-lo, não pare no meio do caminho.
Outro aspecto importante a ser frisado nesse momento tem relação com a dieta: não extrapole os limites de seu regime alimentar para sua saúde como os propostos em seu plano de emagrecimento. Onde está escrito: comer pela manhã e no almoço, coma, pois não o fazendo acarretará riscos de desmaio, fraqueza, perda de sono, unhas enfraquecidas, queda de cabelos, etc. Portanto, não faça loucuras para perder peso mais rápido do que o planejado, não seja radical na dieta. Faça uma dieta cujo ritmo você possa estar seguindo mesmo após 10 anos do início do tratamento. O obeso tem a característica de ser extremista, ou seja: come em excesso ou executa dietas extremas. Isso não está certo, pois se você é radical na dieta, significa que você continua com personalidade e pensamento de gordo. O objetivo de nosso tratamento é chegar ao equilíbrio. Logo, vá com calma. Passo de tartaruga. Devagar se chega ao longe. Pense na vida que você quer levar daqui para frente: seguir adiante com essa ansiedade desenfreada ou tentar ser mais calma e equilibrada e, dessa forma, não sentir tanta compulsão no fim de tarde vivendo de forma mais serena, consciente de cada momento do presente e, assim, governar o seu caminho. A escolha é sua.
Quanto à sua pergunta dos possíveis efeitos colaterais da medicação dependerá do tipo de medicação que utilizaremos para você: Se for da linha dos antidepressivos; podem causar sonolência, cefaléia, se for a sibutramina pode causar palpitações ou aumento da pressão, se for a liraglutida pode causar constipação, se for o orlistat pode causar diarréia. O topiramato provoca formigamento nas mãos… Varia muito cada medicamento. Vamos pesquisar com carinho seu caso.
CAPÍTULO 8
A harmonia das ilusões

Após falar tudo isso, Dr. Rodrigo pediu-me para ver meus exames:
– Olga, seu hemograma mostra que você não possui anemia, sua glicose está normal, portanto você não tem diabetes, o colesterol está normal, urina normal também, tireóide normal; você só tem um pouco de triglicerídeos, que é típico de comedores de pão em demasia. Os comedores compulsivos possuem triglicerídeos altos e correm risco de infarto do miocárdio mais elevado. Após 30 dias de dieta, seus triglicerídeos estarão normais, não se preocupe, disse ele.
– Doutor, posso iniciar meu tratamento, então? Perguntei.
– Claro, falou o médico. Imediatamente!
– O que tenho que fazer?
Ele me olhou alegremente e respondeu:
– Primeiramente, lembre-se do que falei: prometa apenas aquilo que você poderá cumprir mesmo após 10 anos. Fixe metas simples de serem atingidas. Iniciaremos essa etapa com 2 metas:
1) você irá parar de comer pão após o almoço e
2) prometer a si mesma que irá fazer 2 anos de tratamento. Mesmo que bata aquela vontade imensa de abandonar o tratamento, lembre-se que você prometeu que irá cumprir os 2 anos. Desse modo, você irá produzir um mecanismo para se proteger de você mesma. O grande inimigo desse tratamento é a própria doença que controla seus pensamentos. Você sente vontade de emagrecer porque a “barra” está pesando para o seu lado, ou seja, a obesidade atingiu tal ponto que você não se suporta mais, de sorte que você fará qualquer coisa para emagrecer. É nessa fase, que a maioria dos obesos procuram por tratamentos “mágicos”. Vencem qualquer distância ou pagam qualquer preço para realizar um tratamento novo, algo que ainda não foi tentado. O obeso se torna presa fácil a qualquer tipo de enganação. Procuram médicos em cidades do interior com fama de milagreiros, chás que prometem emagrecimento rápido, pílulas contrabandeadas do “Paraguai”, remédios vendidos pela internet, tomam fórmulas médicas emprestadas por amigas, enfim: fazem qualquer coisa para se verem livres desse sofrimento, só porque a obesidade atingiu tal ponto que é necessário emagrecer a qualquer custo. É nessa fase que começa a harmonia das ilusões.
– O que é isso? Nunca ouvi falar dessa harmonia das ilusões. Perguntei curiosa.
Achava que já sabia tudo sobre obesidade, mas essa harmonia das ilusões que o médico falou era novidade para mim.
Ele sorriu e respondeu-me com outra pergunta:
– Você se lembra do período eleitoral?
– Qual deles?
– Qualquer um, disse ele. A maioria das pessoas vive falando mal dos políticos. Dizem que político é tudo igual e tal e coisa. Só que, em cada período eleitoral, apesar dos candidatos fazerem as mesmas promessas, o povo entra numa espécie de “transe psíquico” e começa a acreditar de novo que aquele candidato irá mudar tudo o que está errado. Sempre acontece isso, em todas as eleições. Os comícios lotam, as pessoas pegam em bandeiras e saem às ruas, colocam adesivos em seus carros, e, muitas vezes, amigos, vizinhos ou parentes, chegam a brigar física ou verbalmente entre si por causa de política. Passadas as eleições, o candidato eleito diz que é obrigado a seguir o partido, que não existem verbas para fazer tudo aquilo que ele prometeu, e o povo se desencanta outra vez… A isso eu costumo chamar de harmonia de ilusões. O ser humano tem necessidade de acreditar em alguma coisa e tenta fugir da realidade entrando no mundo dos sonhos. Ele esquece o real e foge para o imaginário. O homem quer se iludir.
A mesma coisa ocorre com a obesidade. O real para o obeso é saber que ele necessita mudar seu estilo de vida, que tem que fazer renúncias. Precisa admitir que possui um problema em sua vida, que é um doente. No entanto, o obeso não aceita sua realidade. Não quer mudanças em sua vida. Esquece de tratar o seu problema como uma doença. Uma vez magros, tendem a acreditar que são pessoas normais em relação à comida. Quer apenas achar uma forma de emagrecer, mas continuando com seu estilo de vida. Desse modo, eu observo que, mesmo as pessoas formadoras de opinião quando se tornam pacientes, tais como empresários, advogados, engenheiros, dentistas, intelectuais, professores e, até mesmo, médicos e médicas; perpetuam essa harmonia de ilusões. Isso ocorre cada vez que aparece um médico oportunista que prescreve anfetaminas sob rótulo de medicamento natural, ou prescreve receitas codificadas, (prescreve nome de ervas no lugar da anfetamina); que só podem ser manipuladas em farmácia específica indicada por aquele médico, compram chás ou shakes com novos nomes indicados pela televisão, rádio ou a moda do momento, entre tantas outras coisas. Mesmo sabendo que não existem milagres, as pessoas se submetem a isso. Pessoas bem informadas esperam em longas filas para consultarem 5 minutos com o “milagroso” e encenam todo um discurso politicamente correto para saírem, no final da consulta, com a receitinha milagrosa. Ou gastam dinheiro à toa comprando ilusões. Parecem o aluno malandro que, diante de um professor chato, diz para si mesmo: “o senhor finge que ensina que eu finjo que aprendo”.
– É verdade doutor, o senhor tem razão. Isso já me ocorreu várias vezes. Eu sempre quis acreditar que alguma coisa iria me fazer emagrecer sem sofrimento…
– Correto! Você entende agora o que eu quis dizer que o grande inimigo do tratamento é o próprio paciente obeso. É ele que decide abandonar todo o esforço realizado para acreditar em nova promessa milagrosa.
E, assim, volta, a engordar. Iludem-se criando um complexo raciocínio que harmonize suas justificativas para voltar a comer exageradamente com o seu comportamento. Nesta fase, o obeso não olha para dentro de si e de sua doença, mas está apto para culpar o seu último tratamento de emagrecimento e para procurar uma nova solução mágica: um médico que prescreva medicação pesada, shakes emagrecedores, grupos de obesidade, nutricionistas, chás emagrecedores, aparelhos comprados pela televisão que emagreçam, academias de ginástica, remédios para queima de gordura para uso em academias, etc.
Tudo são desculpas para não querer mudar sua vida, respondeu Dr. Rodrigo. – Em nosso tratamento, você irá prometer somente essas duas coisas, como disse: parar de comer pão após o almoço e seguir o tratamento por dois anos, mesmo que aconteçam todas as tragédias que você possa imaginar: perda de emprego, abandono do marido, morte de familiares, problemas de saúde na família ou qualquer outro; não desista! Siga sua promessa, pois esses problemas não se resolverão com você voltando a engordar. A comida não vai fazer você se sentir melhor a respeito dos seus problemas. Você é uma pessoa doente, não precisa de mais comida, precisa de ajuda!
CAPÍTULO 9

O perigo do pão

– Olga, sua dieta será o mais simples possível, como já foi dito. Você irá parar de comer pão após o almoço, continuou o médico.
– Como assim? Só isso? Perguntei.
Ele, então, passou a explicar melhor essa questão do pão:
– Olga, você não está obesa por comer excesso de gorduras ou frituras em sua dieta. Você está obesa por causa do pão que você come. Já falei que todo comedor compulsivo sente ansiedade à noite em casa. Essa ansiedade é específica para alimentos que contenham farinha ou açúcar em sua constituição. A pessoa é viciada, principalmente, em comer pão à noite. Outros tipos de alimentos que contenham farinha, como pizzas, massas, polentas, pastéis, salgadinhos, biscoitos, entre tantos outros, também se comportam igual ao pão.
Outros comedores compulsivos atacam os doces. É o caso dos ex-fumantes, das mulheres que sofrem TPM (tensão pré-menstrual) ou outros tipos de ansiedade que fazem a pessoa virar “chocólatra” ou algo semelhante. Essas pessoas têm um distúrbio chamado sweet craving ou “fissura para doces”. São pessoas que possuem baixos níveis de serotonina, um neurotransmissor cerebral, que faz sentir prazer e alegria. Diminuindo os níveis de serotonina, o obeso passa a sentir extrema necessidade de comer doces. Algumas pessoas portadoras de sweet craving, acordam de madrugada para assaltar a geladeira, tamanha é a diminuição de seus níveis de serotonina. Para eles, está indicado terapia com drogas inibidoras da recaptação da serotonina, como é o caso da fluoxetina, sertralina ou paroxetina.
– Eu sou chocólatra também, doutor!
– Acredito que sim, Olga. Você possui as duas coisas: vício para pão e sweet craving, de modo que você irá comer pães e doces somente até o almoço. Você não é viciada em gorduras. Elas até repugnam você. A dieta da proteína prova isso.
Não acreditando que as gorduras da alimentação não me engordavam, eu perguntei:
– O que tem a ver a dieta da proteína com isso, doutor?
Ele respondeu:
– A dieta da proteína é uma dieta na qual a pessoa não pode comer nenhum tipo de carboidrato durante todo o dia. Só pode comer proteínas, gorduras e fibras. Ela emagrece muito rápido, porém, não é factível à longo prazo, pois necessitamos do carboidrato para vivermos. Nenhuma pessoa suportaria não comer carboidrato o resto de sua vida. Seria um martírio. Não poder sair com os amigos para comer pizza, massas, arroz, sobremesas,… a vida de magro seria pior que a vida de gordo. O tratamento seria pior que a doença. Por essas razões, eu não acredito na dieta da proteína. No entanto, ela nos prova uma coisa: que comer gorduras na ausência do carboidrato emagrece. Portanto, o que engorda o obeso é o carboidrato e não as gorduras da alimentação.
– E o colesterol? Não vai aumentar? Perguntei.
– Em primeiro lugar, colesterol só existe no reino animal, pois é produzido no fígado dos animais. Portanto, só existe colesterol em gorduras animais, como carnes, laticínios, banhas, natas, etc. Logo, todos os azeites (oliva, soja, girassol, arroz, amendoim, canola, dendê, côco) e todas as frutas e sementes ditas gordurosas (abacate, banana, côco, nozes, castanhas) não contêm colesterol, de modo que podemos ingeri-los sem risco algum. Por outro lado, devemos acabar com essa relação entre colesterol e risco para obesidade. O colesterol em excesso é nocivo para quem tem problemas cardíacos e não para obesos com níveis normais de colesterol.
Ele prosseguia: – Esse medo de ingerir colesterol foi plantado nos anos 1970 pelos cardiologistas. Os estudos que vinculavam taxas aumentadas de colesterol com riscos cardíacos tornaram-se populares nesse período. Devemos nos lembrar também que, nos anos 1970 começou-se a plantar soja no Brasil por decisão norte-americana, visando a venda de adubos e pesticidas pelas multinacionais que atingiram o pico de vendas na Europa e EUA. Não havia mais espaço para aumento da produção agrícola naqueles países, de sorte que a venda de insumos estava estagnada. Desse modo, foi decidido plantar soja no Brasil para aumento de mercado. É claro que isso foi bom para nosso país, pois gerou renda, emprego e progresso no campo. Mas, naquela época, a tradição de nosso país era utilizar banha de porco na alimentação e uso de manteiga no pão, fato decorrente de nossa economia baseada na produção doméstica de leite, queijos, salames, banhas, manteigas, natas, ovos e demais produtos de granja.
A mídia, de maneira astuta, utilizou os estudos dos malefícios do colesterol para propagar a utilização de óleos vegetais na alimentação e uso de margarinas de soja no pão. De sorte que, o colesterol presente na alimentação tradicional foi exorcizado de nossa mesa. Diante disso, o brasileiro começou a evitar o jantar. Comer “comida de panela” à noite tornou-se um perigo para a saúde. Associado a tudo isso, as mulheres donas-de-casa brasileiras começaram a trabalhar fora para custeio da família, não tendo mais tempo para fazer comida à noite. Comer sanduíche era mais prático, menos pesado e mais “saudável”.
Tomar café com pão à noite, até hoje no Brasil, não é considerado janta. Muitas de minhas pacientes me dizem surpresas: “Eu nem janto!” Sem se darem conta que o hábito do “café” à noite com pão é muito pior. Desse modo, passamos a ingerir quantidade maior de carboidrato justamente no horário que menos é indicado. De modo que a obesidade começou a alastrar-se justamente depois dessa época.
Por todas essas razões, o colesterol, até hoje, é evitado mesmo por pessoas saudáveis, por puro preconceito e crenças do passado. Veja que ironia: naquela época a margarina Becel® tornou-se sinônimo de saúde na mesa, pois era considerada a que menos mal fazia à saúde. Ora, hoje sabemos que todas as margarinas são o tipo de alimento que mais gordura trans possui e, justamente é esse tipo de gordura, que mais mal faz à saúde. Atualmente estamos vivendo uma época em que a manteiga começa a voltar às nossas mesas sendo absolvida, lentamente de sua condenação. A mesma coisa está ocorrendo em relação ao ovo. No passado, comer gema de ovo era abominação dietética. Hoje, sabemos que a gema de ovo é rica em colina, um nutriente essencial para o desenvolvimento do cérebro de nossos filhos e importante para a memória do adulto. Comer ovo é saudável e não engorda. Carne de porco também. Possui menos colesterol que carne vermelha.
– Quer dizer que, para emagrecer seria melhor jantarmos que tomarmos café com pão? Perguntei espantada.
-Certo que sim, respondeu doutor Rodrigo. O grande flagelo da humanidade obesa é o pão. Ele é o responsável pela obesidade. O dia que alguém inventar farinha de trigo que não seja absorvida pelo organismo, pão zero mesmo (caloria zero), ganhará o premio Nobel de Medicina.
– Porque o Prêmio Nobel? Indaguei.
– Por achar a cura da obesidade, e por evitar a morte por doenças decorrentes da obesidade de milhares e milhares de pessoas no mundo todo, hoje e nas futuras gerações.
– Mas o pão faz tudo isso? E o pão preto de centeio ou light?
– Sim, o pão e todas as massas feitas com farinhas alimentam a humanidade, porém viciam. Faça um teste se você não acredita nisso. Tente ficar 30 dias sem comer pão ou outro tipo de massa à tarde e à noite e veja o que acontece. Você sentirá crise de abstinência com irritabilidade, fraqueza e todos os sintomas de um drogado abstinente. Você comerá outros tipos de alimentos e nada saciará você. Fará voltas pela cozinha em torno da geladeira até decidir comer um pãozinho e, então, tudo se aliviará. Você irá dormir e acordar tranqüilo. De modo diverso, porém, aquele paciente que diz que não come pão e que prefere salgado ao invés de doce, se engana. Ao comer carnes, ele coloca farinha, ou come massa, polenta, pirão, batatas, aipim, arroz ou outro tipo de grão. O grão ou tubérculo contém amido, a substância presente no pão que é responsável pelo vício. Você já viu fazerem bebidas alcoólicas de carnes, proteínas ou gorduras?
– É claro que não existe isso, respondi.
– Observe que vodca é feita de arroz, uísque de malte, cerveja de cevada, vinho de uvas, cachaça de cana, enfim: toda bebida alcoólica é produto da fermentação ou destilação de vegetais contendo carboidrato (açúcar ou amido). O álcool age em receptores cerebrais específicos gerando dependência física ou psíquica. A fermentação dessas bebidas pelos fermentos quebra a cadeia de amido, o qual é uma forma de açúcar polimerizado em várias moléculas de açúcar. Essa molécula de açúcar contém 6 átomos de carbono que geram três moléculas de etanol a cada fermentação. Em nossas células, o açúcar dos carboidratos da alimentação é transformado em energia através de um ciclo chamado ciclo de Krebs que é uma complexa reação química para extrair energia dos alimentos. Em nanossegundos esse açúcar é fermentado e clivado sua molécula de 6 carbonos em 3 moléculas de 2 carbonos chamadas de ácido acético. Sabe o nome comum do ácido acético, Olga?
– É claro que não sei doutor!
– “Vinagre de cozinha!”
– Quer dizer que transformamos nosso carboidrato em vinagre para extrair energia?
– Por um milionésimo de segundo, sim. E o vinagre vem de onde? Da fermentação do álcool do vinho. Ou seja, é necessário álcool para formação de vinagre, portanto, em uma das fases do ciclo de Krebs existe formação de álcool. Mesmo que em frações infinitesimais, esse álcool é importante para marcar sua presença em nosso organismo. Você já ouviu falar da homeopatia?
– Sim, a homeopatia utiliza medicação diluída centenas de vezes de tal forma que, acreditam os homeopatas, age somente a memória do medicamento em nós.
– Exatamente, Olga! Vejo que você está bem informada a esse respeito. Assim como na homeopatia, a presença infinitesimal do álcool presente em nosso organismo é suficiente para alterar nosso estado vital. Agimos de uma maneira na presença dele e de outra na sua ausência. Você sabia que os alcoólatras devem evitar o primeiro gole para não voltarem ao vício?
– Sim, meu pai era alcoólatra e, até hoje ele não pode mais beber.
– Pois ele se tornou alérgico ao álcool para o resto da vida. O obeso, de certa maneira, é “alérgico” ao carboidrato. Se voltar a comê-lo à noite, voltará a recaída.
– Impressionante Dr. Rodrigo, não sabia que o pão era tão perigoso para obesos.
– Para engordar sim, Olga. Mas o interessante em tudo isso é que essa restrição só ocorre depois do almoço, pois essa alergia, ou ansiedade só ataca o obeso depois das 14 horas.
– Quer dizer que posso almoçar até às 2 da tarde?
– Sim, essa é sua boa notícia. Você poderá comer de tudo, inclusive doces, até às 14 horas, porém, depois disso, tolerância zero aos carboidratos!
– Mas eu não sinto fome pela manhã e o almoço eu consigo me controlar!
– Todo obeso sente isso quando quer fazer dieta, Olga. Alimenta-se pouco pela manhã, come carne com saladas no almoço e pão à noite. O obeso pensa que não comendo pela manhã e controlando-se no almoço ele vai compensar o excesso da noite anterior. Não é nada disso. Durante o sono, nosso organismo fica com o metabolismo lento. Permanece 7 a 8 horas desse modo. Ao acordar, se não comemos nada, nosso metabolismo continuará lento e irá pedir calorias somente à tarde ou à noite, de modo que, mesmo sem vontade de alimentarmo-nos pela manhã, somos obrigados a fazê-lo. Não se pode simplesmente comer frutas pela manhã. É nessa hora que devemos ingerir pães ou biscoitos, para que nosso organismo mantenha energia suficiente para enfrentar as tarefas do dia. Perceba que, alimentando-se pela manhã, seu corpo começará digerir o alimento secretando enzimas e substâncias necessárias para a digestão. Com isso, o estômago, fígado, vesícula, pâncreas e intestinos, começam a trabalhar e queimar calorias. Não obstante isso, sabendo que podemos comer pão pela manhã, poderemos dizer para nós mesmos naquela hora em que bater aquela extrema vontade de comer um pãozinho: “Agora eu não posso comer esse pão, mas amanhã eu posso…”

CAPÍTULO 10

A dieta, a medicação e a atividade física
Dr Delgado continuava a explicar:
– Ficamos aliviados ao saber que nada está proibido para nós, apenas deveremos observar horários permitidos. Da mesma forma, nosso almoço deverá servir como válvula de escape das nossas compulsões. Não devemos comer somente carnes com saladas nesse momento. Deixe as carnes com saladas reservadas para a janta. É lá no almoço que comeremos nossa pizza, aquela macarronada tão saborosa, a polenta com frango, o pirão, o arroz e feijão, lasanhas, e toda sorte de alimentos que contenham grãos ou farinhas. Também devemos nos permitir comer sobremesa nessa hora, pois o doce também é parte integrante do cardápio das pessoas e negar essa realidade é utopia. Na sobremesa poderemos comer doces, chocolates, sorvetes, pudins e todo tipo de doçura (se não formos diabéticos). De modo que nossa vida de pessoas magras será melhor que a vida que levávamos enquanto obesos. De nada adianta sairmos da escravidão da obesidade para entrarmos em outro martírio no emagrecimento. As metas desse tratamento sempre têm como norte a ressocialização do obeso. Devolvê-lo à sociedade: saudável, integrado e feliz. Nada de comportamento estranho. Aliás, além de nos fazer bem tal atitude, ocorrerá outro fenômeno singular que iremos nos dar conta: o ex-obeso já emagrecido não levantará suspeitas sobre seu passado obeso se, diante da sociedade, comer livremente. Assim, todas essas orientações nos servirão para nos proteger de comentários maliciosos ou mal intencionados a nosso respeito ou em respeito ao nosso tratamento. Deveremos nos comportar, em relação ao tratamento, de maneira sempre sigilosa, uma vez que estamos inseridos em uma sociedade preconceituosa e desinformada que irá sempre comentar de modo pejorativo o fato de você não comer o mesmo que os demais.
Olga escutava a tudo isso de maneira atenta e precavida. Sabia que esse tratamento era definitivo. Essa era a verdade real e objetiva a respeito da obesidade. Nada mais poderia afastá-la desse saber. Nenhuma promessa irreal, nenhuma mágica, nada de novidades ou novas modas de emagrecimento. O médico falava somente a verdade irrefutável e, diante da verdade, só poderia curvar-se e convencer-se que não haviam maiores argumentos do que aqueles. Porém, querendo aproveitar ao máximo todos aqueles ensinamentos, Olga questionou o médico:
– Ok! Doutor, mas mesmo fazendo exatamente como o senhor preconiza, tenho a certeza que terei dificuldades de emagrecer. Meu corpo está com o metabolismo lento.
– Concordo plenamente com você, Olga. O organismo do paciente obeso que já passou por vários tratamentos de emagrecer fica resistente. O mesmo começa a “economizar calorias” por achar que você está, de tempos em tempos, passando por períodos carenciais. É como se você fosse anualmente a um país do terceiro mundo africano. Lá você passaria muita fome, de modo que seu organismo economizará ao máximo as calorias. Às vezes, ele impede você de menstruar para não perder energias (observado nos extremos estados carenciais). De forma que, com a mínima quantidade de alimentos, você engordará. Quando você abandonar a dieta, o organismo pensará que você voltou ao Brasil, logo, ele procurará acumular o máximo de energia possível, preparando-se para a próxima viagem à África.
Para esse tipo de paciente, eu creio, com bastante experiência, que necessitamos utilizar medicamentos, mesmo que já experimentaram diversos tipos de medicações. Esses pacientes acabam criando tolerância aos remédios e emagrecem muito pouco.
– Isso mesmo! Interrompo inopinadamente a fala do médico: – Isso ocorreu várias vezes comigo, porém, ao procurar um endocrinologista, ele me receitou sibutramina que não funcionou em meu caso. Porque os endocrinologistas insistem tanto em utilizar a sibutramina, doutor?
– Os endocrinologistas já passaram pela experiência de utilizar os anorexígenos e observaram uma série de complicações com esse tipo de medicamento. Não obstante isso observaram também a ineficácia dos mesmos em manter o peso perdido a longo prazo sem complicações. Dessa forma, os cânones formadores do consenso médico relacionado ao tratamento da obesidade, preconizam evitar o uso desse tipo de terapia. No entanto, tais medicamentos não têm proibida sua utilização. Há que se ter o bom senso e o devido treinamento para empregá-los. O problema é que se formou tamanha ojeriza a esse respeito que, mesmo diante de correta indicação, os médicos preferem outras formas de terapia. A coerção psicológica exercida sobre os médicos é de tal monta que não encontra qualquer tipo de resistência. Foi perdida a capacidade crítica racional a esse paradigma da não utilização de derivados anfetamínicos e, os novos médicos, simplesmente abandonam seu uso porque seus antecessores não mais o utilizam.
Dr. Rodrigo pretendia empreender um raciocínio crítico frente a essa questão, ao proceder a análise recorrente desse tipo de tratamento, o médico tentava criticar a forma dogmática com que é tratada a questão de utilização ou não de anorexígenos.
-Olga, desculpe-me por haver me alongado… Falou o médico pausadamente. – É que esse tema intriga-me deveras, haja visto esses pacientes serem simplesmente legados à sua própria sorte, ou às garras de terapias suspeitas. Parece-me que a pretendida prevenção de problemas e proteção à saúde por parte dos médicos, acaba causando maiores complicações devido à reengorda. Estou interessado em determinar as condições que culminaram na execração dessa forma de terapia, tal como a época contemporânea estava passando. Paralelo a isso, não prefiro nenhuma forma de terapia contra a outra, ou sou contra as terapias.
– Agora o senhor foi muito além do meu raciocínio. Entendi poucas palavras que o senhor disse, porém entendi a sua linha de pensamento.
– Desculpe-me mais uma vez, Olga, falou o médico já com um olhar tanto quanto furtivo. Passemos à prescrição de sua medicação.
Bastante curiosa e intrigada, observei atentamente o médico fazer anotações em meu prontuário. Depois disso ele elevou sua fronte e com voz tonitruante relatou:
– Olga, disse o médico: – iremos começar com medicação ativadora do metabolismo e controladora da ansiedade. Costumo dividir o tratamento em duas partes: a primeira é o emagrecimento propriamente dito e, a segunda, a fase da manutenção do peso.
Ele prosseguiu:
– Nessa fase do emagrecimento propriamente dito, necessitamos levar em consideração que nosso paciente obeso encontra-se bastante desanimado e desacreditado das terapias existentes. Ele necessita incentivo. Se ele notar perda de peso e medidas já no início do tratamento, sua adesão será maior. De modo que, se utilizarmos medicações com ação lenta demais, corremos o risco de perder esse paciente por desânimo. Portanto, utilizarei medicação específica a esse fim que proporcione resultados satisfatórios com mínimos efeitos colaterais. Note que não existe o medicamento ideal, existem apenas aproximações daquilo que poderíamos considerar ideal. Ou o medicamento age no centro da fome, mas não age na saciedade, ou elimina gorduras, mas não tira a fome por farinha, ou elimina a gordura da barriga, porém provoca depressão. Enfim, não podemos dizer que esse medicamento ou aquele tratamento é o ideal ou mais correto. Cada um deles age especificamente em determinado sítio de ação.
– Então necessitarei utilizar vários tipos de medicamentos para meu caso, não é mesmo doutor?
– Seria o ideal, Olga. Contudo, a lei nos impede de utilizarmos mais de um medicamento. Fica realmente muito difícil tratar pacientes como você apenas com monoterapia, ou seja, um só medicamento. Devido aos grandes abusos efetuados por profissionais incautos ou pelos pacientes, o ministério da saúde acabou por proibir associações medicamentosas. De sorte que “o justo paga pelo pecador”, ou seja, aqueles pacientes que se beneficiariam da associação de um ou mais medicamentos ficam prejudicados, mormente o uso indiscriminado destas substâncias.
– Que pena doutor! Queria tanto uma solução definitiva para o meu caso, afirmei desapontada.
– Essa é mais uma das dificuldades que se apresentam ao paciente obeso, porém, não iremos esmorecer Olga. Seguiremos nosso plano de ação dentro dos critérios possíveis ao seu caso, respondeu o médico, e continuou:
– Olga, voltando à questão da medicação: ela faz parte de um tripé de tratamento:
DIETA EXERCÍCIOS E MEDICAÇÃO.
Os problemas ocorrem, muitas vezes, quando a pessoa não observa esse tripé e passa a utilizar somente a medicação, esperando tudo do remédio. Não se alimenta, não faz exercícios, fica com o corpo fraco e passa a ficar tonta, sofre desmaios, dor-de-cabeça, tremores, falta de memória, depressão, etc.… Tudo sintomas de falta de alimentação… A família se assusta, leva essa pessoa ao hospital e, o médico plantonista que presta atendimento sem apropriar-se dessa informação, culpa a medicação, o médico que a prescreveu e não o paciente. De sorte que, a medicação vai ganhando fama de “causar mal”…
A medicação não corta efeito de anticoncepcionais ou outros medicamentos que, porventura o paciente esteja utilizando. Uma única recomendação: Se você necessitar tomar antibiótico (ou sentir febre) interrompa o uso do remédio de emagrecer até solucionar o problema.
Bebidas alcoólicas devem ser evitadas.
Serão realizados exames periódicos para sua segurança ao longo do tratamento. De modo a obter certeza que a medicação não o está prejudicando e, o contrário, melhorando cada vez mais o perfil de colesterol, triglicérides, hematócrito, glicose, pressão arterial, ácido úrico, etc. Ou seja, você ganha saúde com o uso da medicação, justo o contrário do que pensa a sociedade em geral.
Iremos iniciar a medicação pela manhã, por volta das dez horas, durante uma semana. Após sete dias, você deverá tomá-lo às dez e dezesseis horas, ou seja, no meio da manhã e no meio da tarde. Dessa maneira conseguimos impedir a maioria dos efeitos colaterais, pois dividimos a dose em duas tomadas diárias, o que resulta em conforto e segurança ao paciente. Lembre-se que você deverá seguir a dieta alimentando-se corretamente. Desse modo, você evita a ingesta do medicamento com estômago vazio ou com seu corpo fraco.
– Mas ele não irá me prejudicar, doutor? Perguntei apreensiva.
– Como disse anteriormente, a maioria esmagadora de efeitos colaterais das medicações de emagrecer são devido ao mau uso ou abuso da medicação. Visando obter efeitos rápidos, algumas pessoas decidem por sua conta não alimentarem-se conforme o prescrito. Ficam tontas, desmaiam, empalidecem e sentem cefaléia ou taquicardia. Outras, devido à pressa, não observam a primeira semana de tratamento, a qual preconiza uma tomada diária. Passam, inadvertidamente, a tomar duas vezes ao dia, sentindo-se mal. O pior nisso tudo Olga, é que os pacientes que se comportam dessa maneira são aqueles pacientes que mais tentam enganar os médicos, familiares e eles próprios. Estão sempre tentando emagrecer da sua maneira. Acreditam que desse modo poderão lograr resultados mais rápidos conformando-os com suas expectativas irreais. São, por natureza, extremamente manipuladores. Se desmaiarem, permitem que os familiares ou médicos culpem a medicação. Jamais confessam que trapacearam o tratamento. Certa vez, tive uma paciente, que ficou três dias sem alimentar-se, porém tomava a medicação prescrita. No quarto dia, essa paciente sofreu parada cardiorrespiratória por diminuição extrema dos níveis séricos de potássio. Por sorte não morreu, mas permaneceu na UTI por dois meses com traqueotomia e toda sorte de complicações hospitalares. Passado o pesadelo, a família passou a me responsabilizar pelo tratamento prescrito, sem importar-se com o fato de que ela não seguiu as orientações fornecidas, inclusive as escritas e impressas em letras garrafais.
– A grande maioria de minhas amigas é assim, doutor. Inclusive, no bairro onde moro, existe uma senhora que trabalha em um salão de beleza que vende a medicação para suas clientes. Ela retira a etiqueta do frasco do medicamento dizendo que não pode “sujar com o farmacêutico”. Ela consulta com outro médico que realiza esse tipo de tratamento, porém, sem o médico saber, ela fala para suas “clientes” que visitou o médico e que ele lhe prescreveu “isso, isso e aquilo”. Ela chega a tirar cópias da dieta do médico para fornecê-la às obesas. Outras amigas minhas, tomam a medicação emprestada de outra pessoa que consultou o médico. Fico abismada com esse tipo de atitude, mas elas me dizem que primeiro irão testar o medicamento do médico: se ele emagrecer, daí sim consultarão.
Doutor Rodrigo parecia não haver ficado surpreso com o que lhe disse. Ele deu um longo suspiro e disse preocupado:
– Estou sabendo dessa situação, Olga. Existem casos iguais a esse aos montes em nosso país. Muitos tomam medicação contrabandeada, muitos compram pela internet, outros mandam buscar medicação pelo telefone trazidas de outros estados, enfim; corre solto e sub-repticiamente o lado escuro do tratamento da obesidade. Isso configura tráfico de entorpecente na sua forma mais cruel: tirando vantagens de pessoas doentes e desorientadas. As mulheres e homens que praticam esse tipo de coisa andam soltos por aí e somam expressivas cifras com o tráfico de anfetaminas. O mais lamentável em toda essa questão é saber que há verdadeiro descaso das autoridades em controlar esse comércio e que as pessoas aceitam submeter-se a esse tipo de coisa.
Após dizer tudo isso, o médico modificou seu semblante e aparentando estar mais preocupado, falou:
– Vamos falar agora da parte mais difícil do tratamento: a atividade física, Olga.
– Ah, doutor! Não sinto vontade de me exercitar e tenho pouco tempo também. Além disso, estou cursando enfermagem e tenho que realizar plantões à noite mais o trabalho do dia. Como fazer para conciliar família, trabalho, faculdade e plantões, tudo ao mesmo tempo? – Perguntei tristemente.
– É normal você sentir-se assim. Igual a você, há expressiva parcela de obesos que se encontram na mesma situação. Fazer exercícios representa, muitas vezes, duplo martírio ao obeso. Primeiro, por não querer fazê-lo. Segundo, por sentir-se culpado em não fazê-lo. No entanto, você deverá manter em mente que é fundamental reservar um tempo para o exercício como parte da mudança de hábito de vida. Muita gente trabalha o dia todo e estuda á noite. Ou chega a casa e tem que se dedicar à família. Não tem tempo… Mas é por isso mesmo que está obeso! Ou aceita a obesidade como resultado dessa vida agitada ou enfrenta o problema de frente. Temos que readequar o problema. Certo empresário de uma grande rede de supermercados acorda às quatro horas da manhã e, às cinco horas, está na piscina nadando. Ao meio dia faz musculação e depois encontra tempo para trabalhar e dedicar-se a sua família. É exemplo ilustrativo da determinação e organização como geradoras de resultados. Não adianta Olga: Você tem que se decidir: Necessita praticar exercícios! Pouca gente gosta, no entanto faz… Você precisa planejar-se. Não é necessário fazer o que todo mundo faz. Ir para academias, só por que todo mundo vai. É imposição da sociedade e faz você se sentir constrangida. Mas se você gosta de academias, por favor, vá correndo! Se você não gosta, faça aquilo que você fazia na sua infância: Andar de bicicleta, correr, pular corda, enfim; descubra algo prazeroso que ajude a incorporar os exercícios em seu novo hábito de vida.
Aqui vai uma dica que poderá ajudar a conciliar nossos afazeres cotidianos com o hábito de praticar exercícios: Cultive o hábito da leitura enquanto fizer esteira. Você não imagina o quanto isso lhe dará prazer. É mais prazeroso do que olhar televisão andando na esteira. Sempre temos um livro, uma revista, um jornal ou artigo, que necessitamos ler, porém, ás vezes, não sobra tempo. Por essas razões, reserve tempo à leitura enquanto faz esteira e você se surpreenderá como o tempo passará rapidamente e quanto irá render sua leitura e exercício. Procure subir o primeiro andar de escadas e só após isso chamar o elevador. Caminhe antes de chegar ao serviço parando um pouco mais longe do que o costume para que você se exercite ao menos um pouquinho. E, por último, lembre-se que você tem, pelo menos, dois anos pela frente de tratamento em que você planejará seu tempo para o exercício.
– Irei pensar a respeito doutor. Não prometerei nada.
Após todas essas admoestações, Dr. Delgado exclamou:
– Passemos à sua reeducação alimentar, Olga!
Finalmente iríamos iniciar a dieta! Que alegria e que medo também. Será que a dieta é de fácil execução mesmo? Todas essas idéias invadiam minha imaginação quando o médico passou-me uma folha contendo a explicação da reeducação alimentar.

CAPÍTULO 11
A reeducação alimentar

A folha de papel que continha a reeducação alimentar dizia o seguinte:
Redução alimentar não significa ficar contando calorias o dia todo ou fazendo dietas exóticas ou pouco práticas. Reeducação alimentar significa não fazer as nossas vontades de obesos e sim nossas necessidades.
Sabemos que todo obeso não gosta muito de comer pela manhã, gosta de comer uma saladinha e um bifinho no almoço e, quando chega em casa à noite, toma café com pão ou se enche de lanches. Ora, para emagrecer você deverá inverter tudo isso: comer como um rei ou rainha de manhã, príncipe ou princesa no almoço e como um mendigo ou mendiga à noite. Café com pão só de manhã. Arroz, feijão, massas; no almoço… Pela tarde coma frutas e à noite bife com saladas, frango com verduras, shakes, batidas de frutas, sopas, saladas de frutas com iogurte light. Não se iluda com o pão preto: Depois do almoço nenhum tipo de pão, nem torradas, nem pão light… Nada de farinhas! Ok? Use sua imaginação: Podem ser ingeridos: Queijos gordurosos, embutidos, carnes preparadas de todas as formas (inclusive frita), ovos fritos, etc.
Elaboramos uma Lista dos 7 Nãos que você deve Evitar. Decorando-os você estará apto a enfrentar as mais diversas situações críticas que encontrar ao longo do seu tratamento:
OS SETE NÃOS DA DIETA DE OLGA ANTUNES:

1. Não tome álcool: A cerveja é chamada de pão líquido de tanto que engorda. As demais bebidas também engordam pelas calorias do álcool. Incham demais e deixam-nos com preguiça ao exercício. O álcool estimula o mesmo centro do prazer que o doce e o pão, por isso se estivermos abstêmios do pão e doce na dieta e bebermos, isso vale como transgressão da dieta. Além disso, estamos tomando medicação e não podemos tomar bebida de forma alguma e precisamos decidir: ou mudamos de vida radicalmente e optamos por emagrecer abandonando a velha forma de viver incluindo a bebida ou seguimos sendo o que éramos antes: gordos, preguiçosos, infelizes e bebedores. Esta escolha não oferece meio termo, por isso ela está em primeiro lugar nesta lista.
2. Não coma doces ou refrigerantes comuns: (refrigerantes light ou zero podem ser ingeridos) Os doces e refrigerantes devem ser proibidos após as 14 horas por despertarem a compulsão alimentar. Além disso, existem pessoas viciadas em refrigerantes que os tomam por água desencadeando diabetes. Doces podem ser ingeridos até as 14 horas de forma moderada. Preste atenção aos sucos naturais que são tão calóricos quanto os refrigerantes comuns e não os ingira após as 14 horas. Tome somente sucos light ou diet.
3. Não coma pão preto, integral ou normal nem nada que contenha farinha após as 14 horas: Essa é uma das partes mais importantes da dieta. Impedir a ingestão de farináceos após o almoço. Nem mesmo os integrais, pois despertam a compulsão alimentar. Incluam neste item os grãos como arroz, milho, feijão, trigo, etc.
4. Não coma nenhum tipo de carne no almoço durante a semana ( gado, frango, peixe, porco, ovelha, etc.): Esta proibição é a menos importante. Ela só é válida para aquelas pessoas que estão com o metabolismo travado e não estão perdendo nada de peso. Daí sim param de ingerir carne completamente mesmo à noite que irão perder peso rapidamente. Ingira carnes apenas durante os finais-de-semana, pois as mesmas retêm muito sal no organismo fazendo com que você retenha muito líquido e permaneça inchado com dificuldade de digestão e metabolismo. Sem as mesmas seu metabolismo será mais leve e você se sentirá melhor. Você irá repor sua necessidade de carne no sábado e domingo sem problema algum. Durante a semana coma queijos, ovos, iogurtes, feijão, brócolis e leites que você não sentirá falta das carnes.
5. Não acorde após as sete da manhã: Se você acordar tarde perde a hora do café-da-manhã e fica muito próximo da hora do almoço e não irá sentir fome do almoço, portanto, irá perder as duas principais refeições de nossa reeducação alimentar: a saber, o café da manhã e o almoço. Portanto acorde cedo!
6. Não deixe de tomar a sua medicação: Nosso programa de emagrecimento baseia-se em dietas-exercício-medicação, pois entendemos ser a obesidade fruto de uma compulsão alimentar em que o objetivo do tratamento é tratar o neurônio compulsivo que é ansioso e que pede comida no final do dia todo dia. Não adianta ficar com um corpinho bonito que o pesadelo não termina. O paciente tem que ser medicado a vida toda para ficar estável e controlado, porque cura não existe, de modo que NÃO DEIXE DE TOMAR SUA MEDICAÇÃO! Apesar de toda pressão e crítica social que prevaleça contra o mesmo, ainda não inventaram método melhor de controle do obeso compulsivo para que este fique estável a longo prazo.
7. Não deixe de fazer exercícios: Os exercícios são um capítulo a parte. Para quem pode fazer eles são ótimos! O problema é que a maioria dos pacientes não tem tempo. Trabalham o dia todo, estudam a noite e têm família para dar atenção quando chegam a casa. De modo que os exercícios ficam na ultima parte da lista para que o paciente contemple os mesmos e os faça o dia que puder e do modo que puder, seja caminhando, seja descendo uma parada antes do ônibus, seja dançando, seja subindo escadas, enfim, fazendo o que puder. Não iremos exigir 100%, como é o caso do álcool, ou do refrigerante comum. Mexa-se, quando puder.

Dieta
Até o almoço você poderá comer livremente o que quiser; inclusive doces, mas após o almoço é fundamental, não cometer “GAFs” (grão, açúcar e farinha). Lembre-se de não trocar o pão branco por pão preto, pão light ou torradas.
Pela tarde coma frutas livremente, em qualquer quantidade, de qualquer variedade (inclusive manga, banana e abacate) e, à noite, siga esse roteiro:
DIETA DA NOITE:
1ª Semana: Limpeza do intestino
Em um prato fundo, coloquem num canto quatro fatias em meia lua de mamão, no outro canto do prato mais quatro fatias em meia lua de melão, no outro quatro fatias de maçã e no outro canto, morangos cortados em rodelas. No centro do prato coloque rodelas de banana e três ou quatro ameixas pretas. Por cima dessas frutas, acrescente iogurte natural ou de frutas light. Por cima do iogurte coloque nozes picadas, uvas passas claras e amendoim moído. Por cima disso tudo acrescente granola ou aveia em flocos da sua preferência. Coma com suco de laranja light ou refrigerante light durante toda a semana à noite.
2ª Semana
Faça uma sopa de moranga, cenoura, salsão, cebolinha, cebolas, ervilhas, brócolis e todos os legumes que você quiser. Acrescente na sopa frango ou carne com osso. Faça para a semana toda e guarde-a na geladeira. Tome à vontade temperada com cheiro verde, queijo ralado e pimenta vermelha se você gostar. Tome refrigerante light.
3ª Semana
Faça batidas (vitaminas de frutas) com todos os tipos de frutas com leite de preferência desnatado ou natural se você não tiver o desnatado. Exemplos: Batida de mamão com banana. Vitamina de morango, abacate, manga, maçã com banana, pêssego, goiaba, uva, etc. Tome até dois copos.
4ª Semana
Compre um shake da sua preferência do sabor que você quiser (chocolate, morango, baunilha, etc.) e tome com leite a semana toda até dois copos. O shake de baunilha poderá ser misturado com sucos de frutas light para que não se utilize leite em todas as vezes que se tomar shake. Uma noite você poderá colocar 500 ml de suco de laranja light no liquidificador junto com duas colheres de sopa de shake de baunilha e gelo à vontade. Após bater, você terá um suco de laranja cremoso e não um shake de baunilha. Isso ocorre porque a baunilha é neutra e assume o sabor da fruta que você adicionar naquele dia. Cada dia troque o sabor da fruta: laranja, abacaxi, uva, goiaba, pêssego, limão, manga, caju, etc. Desse modo você evita enjoar de seu shake.
5ª Semana
Coma carnes com saladas à vontade (bifes, frangos, peixes, churrascos); fritos, cozidos, assados, grelhados, etc. ou faça uma variação das quatro semanas anteriores para não enjoar. Podem-se fazer omeletes, tábua de queijos com presunto, salaminhos, palmitos e azeitonas. Use sua imaginação. Porém, não utilize farinhas, grãos e açúcar. (única exceção é a granola ou aveia em flocos nas frutas da 1ª. semana – não prolongue a utilização desses componentes por mais de uma semana). Se você tiver que ir numa festa dê preferência às saladas com carnes.
•Pecados: Se você cometer pecados: Exemplo: Foi numa pizzaria, ou bebeu muito álcool na noite anterior; o que fazer? Faça uma desintoxicação no dia seguinte: passe o dia todo com as frutas com iogurte e granola da 1ª semana tanto no almoço como na janta que você vai desintoxicar ligeirinho. Procure caminhar nesse dia para suar bastante e eliminar todos os malefícios que o álcool e a pizza trouxeram a você.
– Se você caminhar ou fazer exercícios durante uma hora, nessas quatro semanas iniciais, alcançará o resultado desejado mais rapidamente. Alguns de meus pacientes chegaram a perder de 4 a 6 kg.
LEMBRE-SE: Não cometa GAFs depois do almoço!
CAPÍTULO 12

A vida em sociedade e a resistência ao tratamento

Após breve pausa, Doutor Delgado passou para outro tema do tratamento: a vida em sociedade:
– Olga, um dos maiores erros dos obesos é mostrarem à sociedade que estão em dieta. Pois, como vimos, a obesidade é doença discriminada pela sociedade e, se o obeso tomar a decisão de fazer alguma coisa a respeito (no caso a dieta), continuará inadequado ao recusar aquilo que lhe é oferecido. Vai às festas e jantares e nada pode comer de modo a tornar-se pessoa diferente (mais uma vez) das demais.
Portanto, ao receber convite de festa, casamento ou jantar; esqueça um instante que está em dieta e coma livremente o que for oferecido, porém, com moderação (não se esqueça de tomar sua medicação antes de sair à festa). Desse modo, as pessoas ficarão satisfeitas e não perceberão que você está em dieta. Esse “segredo” é somente seu e deve continuar assim, pois você necessita manter sua meta por dois anos. No dia seguinte, passe o dia todo somente a frutas para desintoxicar seu organismo. De maneira que o excesso de ontem não exercerá influência sobre seu peso hoje. Lembre-se sempre que sua vida magra necessitará ser melhor que sua vida obesa; sem repressões, pois se privando de tudo e a todos, você não irá suportar muito tempo. Será como uma panela de pressão prestes a explodir. O obeso adora “chutar o balde” e mandar tudo para o espaço, dizendo, como desculpa que sua vida está um horror com aquela dieta horrível… finalizou doutor Rodrigo.
Fiquei impressionada em saber que poderei ir às festas e comer livremente. O médico tem razão ao afirmar que podemos comer nas festas e na casa dos amigos, pois somente damos vazão à nossa ansiedade em casa, sozinhos, à noite. Comendo em frente aos amigos, os colocarei pulga atrás da orelha, ao perceberem que estou magra, porém comendo. Se perguntarem o porquê de estar tão magra direi que resolvi “fechar a boca”. Só isso, mais nada. Não atirarei pérolas aos porcos, pois eles não sofreram o que sofri.
Depois de explicar-me o comportamento em sociedade, Doutor Rodrigo abordou outro tópico importante: a resistência ao tratamento.
– Olga, algumas pessoas que realizam tratamento de emagrecimento tornam-se tolerantes à medicação e resistentes ao tratamento. Seu metabolismo “travou”. Se, ao longo do tratamento, seu organismo “travar”, ou seja, mesmo com todas as manobras honestas não perder peso, é sinal que adquiriu resistência ao tratamento e está necessitando um “choque metabólico”. Por isso, de tempos em tempos, costumamos colocar nossos pacientes na “UTI DO OBESO” durante sete dias ou mais. Seu objetivo é readequar o organismo para perder peso novamente. Por isso, ao sentir que não está perdendo peso, “interne-se” imediatamente na UTI do obeso até voltar a perder peso. A UTI do obeso é uma forma divertida de aplicar uma dieta rigorosa que tem, como único propósito, reativar o seu metabolismo para a queima de calorias. Perceba que a UTI do obeso é uma exceção e, de forma alguma poderá ser utilizada como dieta principal ou inicial do tratamento. Algumas pessoas apressadas (as mesmas que abusam da medicação) iniciam o tratamento pela UTI e, desse modo, eliminam importante recurso, impedindo lançar mão da mesma, quando necessário.
– Mas que UTI é essa, doutor? Perguntei curiosa.
– Já explicarei a você, Olga- passando o impresso da dieta da UTI do obeso.
CAPÍTULO 13

A UTI do Obeso
(realizar somente se o metabolismo estiver lento ao longo do tratamento)
07 dias de internação:

Sopa básica de queima de gorduras
Uma berinjela
Um nabo
Dois colheres de sopa de arroz integral
Dois maços de cebolinha
Dois pimentões verdes
Três tomates picados
Um maço de salsões
Um repolho grande ou couve
Duas cebolas
Três cenouras
Duas xícaras de vagem picada ou ervilha
500 gramas peito de frango desfiado
Tempere com sal, pimenta, curry, sálvia, salsa, etc. Corte os legumes em pedaços pequenos ou médios e cubra com água. Ferva rápido por 10 minutos, acrescente o frango desfiado, então abaixe o fogo mantendo o ponto de fervura por 40 minutos ou até que os legumes estejam tenros. Tempere a gosto.
Esta sopa pode ser tomada a qualquer momento do dia, em momentos que tenha fome. Tome-a o quanto quiser, de dia ou à noite. Se sair, encha uma térmica ou tupperware e leve-a com você… esta sopa queima calorias. Quanto mais você tomá-la mais você irá perder peso. Se tomada isoladamente, por período indeterminado você poderá sofrer desnutrição.
Acompanhamento para a sopa
1º DIA: TODAS AS FRUTAS, INCLUSIVE BANANAS: Seu primeiro dia consistirá de todas as frutas que desejar mesmo as bananas. Melancia e melão têm menos calorias que a maioria as frutas. Coma somente frutas e sopa no primeiro dia. Para beber: Chá, café, suco de uva (tudo sem açúcar) ou água à vontade.
2º DIA: TODOS OS LEGUMES: Coma até que esteja farto legumes frescos crus ou cozidos, de sua preferência. Tente comer os legumes folhosos que desejar, mas afaste-se de feijões secos, grão-de-bico, ervilha e milho. Tome sopa e legumes que desejar. Na hora do jantar pode comer se quiser uma batata grande cozida com manteiga.
Lembre-se: NÃO COMA FRUTAS HOJE.
3º Dia: FRUTAS E LEGUMES: Tome quanta sopa e coma frutas e legumes que desejar, mas hoje você não poderá comer batata cozida.
*Se você tiver comido por três dias tudo acima como foi indicado e em quantidades suficientes e equilibradas, você poderá perder até 2,3 a 3,5 kg.
4º Dia: BANANAS E LEITE DESNATADO OU LEITE DE SOJA (ADES): Coma até quatro bananas e beba tantos copos de leite desnatado ou leite de soja que desejar no dia de hoje, junto com sua sopa.
*Banana tem carboidratos, bem como o leite. Neste dia particular de sua dieta, seu corpo vai precisar de muito potássio e cálcio para diminuir o desejo de consumir açúcar.
5º Dia: BIFE E TOMATES: Neste dia você pode comer 250 gramas de bife e o conteúdo de uma lata de tomates frescos e firmes. Tente beber de seis a oito copos de água para lavar o ácido úrico que está no seu corpo. TOME SOPA PELO MENOS UMA VEZ NO DECORRER DO DIA.
6º Dia: BIFE E LEGUMES: Coma bife e legumes em quantidades razoáveis, mas o quanto desejar, até dois bifes, mas não coma batatas cozidas, assegurando-se de tomar sopa pelo menos uma vez ao dia.
7º Dia: ARROZ INTEGRAL, SUCO E FRUTAS: Dê preferência ao arroz integral, os sucos, evidentemente sem açúcar, legumes à vontade. Outra vez se farte, assegurando-se de tomar sopa pelo menos uma vez ao dia.
DEFINITIVOS
-NENHUM pão, nenhuma bebida alcoólica e nenhuma bebida açucarada.
– Ampare-se sempre com ÁGUA, CHÁ SEM AÇÚCAR, SUCO DE UVA E LEITE DESNATADO (sempre no dia que lhe é permitido).
– Evite refrigerantes light ou diet.
• A sopa estimula a queima de gorduras, podendo ser tomada a qualquer tempo que você sentir fome. Tome tantas porções de sopa quanto desejar. Quanto mais você tomar, mais você poderá perder peso.
• NÃO coma nenhuma comida pronta ou pão.
• Você poderá comer FRANGO GRELHADO OU COZIDO ao invés de carne vermelha.
• QUALQUER MEDICAÇÃO PRESCRITA não lhe fará mal com essa dieta.
• Se preferir, você poderá substituir o bife por peixe grelhado em somente um dos dias do bife. Você precisará da alta proteína da carne vermelha do outro dia.
• SEJA FORTE E CONSCIENTE. VOCÊ IRÁ EMAGRECER SEM SOFRIMENTO.
RESULTADOS
Ao final do 7º Dia, se você não tiver fraudado a dieta, você poderá ter perdido entre 2 a 5 kg. Se você tiver perdido acima de 7 kg, fique fora da dieta por dois a três dias antes de recomeçar.
Se seguir corretamente, limpará seu organismo de impurezas e lhe dará um sentimento de bem estar jamais experimentado. Esta é uma dieta rápida de queima de calorias e o segredo é que você queimará muito mais calorias do que estará adicionando. Esta dieta não permite beber absolutamente nada alcoólico em nenhum momento do seu regime, por causa da remoção de gordura do seu sistema. O sistema digestivo de cada um é diferente, portanto, esta dieta afetará cada um de uma maneira diferente, não compare seu resultado com os de seu amigo.
Depois de cinco dias, você terá mais energia do que quando começou, se você não trapacear. Depois de estar na dieta por alguns dias, você sentirá que o funcionamento do seu intestino mudou para melhor e mais regulado. Se for necessário, uma vez que o intestino das pessoas irá reagir de forma diferente, você poderá tomar uma xícara de leite com farelo e com fibras, caso haja necessidade (prisão de ventre). Apesar de você poder tomar café, com essa dieta você irá descobrir que não necessitará mais da cafeína depois do 3º Dia.
Boa Sorte!
DR RODRIGO DELGADO

CAPITULO 14

A manutenção de peso
Após ler detidamente a reeducação alimentar e ter me inteirado de todas as dúvidas a respeito, fiquei curiosa de como será a manutenção de peso. Por isso perguntei:
– Doutor, e após eu emagrecer: como será a manutenção?
– Muito bem lembrado, Olga. A manutenção é a etapa mais difícil e quando mais de 90% das pessoas abandonam o tratamento e voltam a engordar. Todo obeso é categórico em afirmar na 1ª. consulta que ele fará a manutenção. Ele será um vencedor e não engordará novamente. Falta-lhe a humildade necessária para admitir que será nessa fase que ele mais necessitará de ajuda. Todo obeso quer emagrecer “para ontem”. Por isso, faz qualquer coisa para tal. Está motivado, faz dietas, exercícios, toma medicamentos. Gasta bastante e, após estar magro… acaba desanimando novamente.
– Eu sei bem o que o senhor está dizendo, doutor. Eu mesma já recaí dezenas de vezes. Sempre pensava que aquele tratamento que iniciava seria o definitivo. Esquecia que o problema não estava no tratamento, mas sim em mim mesma. Tenho pouca força de vontade. Quando estava magra eu ficava “poderosa”, me achando. Sentia que nada mais me afastaria do peso ideal. Até que, em um belo dia… eu percebia que havia voltado a engordar. Todo o dinheiro gasto, todo o esforço, enfim; tudo tinha sido atirado para o alto em troca da compulsão alimentar novamente…
– Exatamente, Olga! Você resumiu de forma brilhante o que acontece com a maioria dos obesos. Gastam a maior das suas energias no emagrecimento para desistirem na manutenção de peso. Esquecem que manutenção é a etapa na qual a pessoa atingiu o peso pretendido. Daí em diante ela tem a missão de manter-se nesse peso durante 2 anos, no mínimo. Esse período de 2 anos é para dar tempo ao organismo adaptar-se ao novo sistema de funcionamento do novo peso. Ele precisa “esquecer” o peso antigo e “gravar” o peso novo. Esse processo leva, em média, 2 anos. É fundamental você saber que essa etapa é ainda medicamentosa. Portanto, não interrompa o medicamento!
As pessoas teimam em parar o medicamento nessa fase achando que não precisavam que conseguem fazer o tratamento por vontade própria. É aí que acontecem os maiores desastres. Simplesmente voltam a engordar com força total, pois o organismo recupera o peso perdido rapidamente. A obesidade é uma doença, uma epidemia mundial muito mais forte do que nós, mas que pode ser debelada mediante ajuda dos medicamentos. Não se iluda com a mídia e propaganda enganosas falando todo o tipo de reportagens espalhando pânico nas pessoas a respeito das medicações de emagrecer, que essas prejudicam o organismo e tudo mais…
Você chegou até aqui em meu programa de emagrecimento após outras tentativas frustradas. Dê-me a chance de ajudar você nessa fase que é a fase mais delicada do tratamento.
Somos seres humanos falíveis, portanto, não podemos enfrentar a obesidade – que é uma doença muito mais poderosa do que nós – só com a nossa força de vontade, pois, se o mundo inteiro está ficando obeso não será justamente você que irá conseguir enfrentar sozinha essa parada sem ajuda de remédios, não é mesmo Olga?
Será que você é exceção à regra? Não, as estatísticas mostram que suas chances são mínimas de lograr manutenção a longo prazo sem ajuda. Portanto, se você não quiser ser mais um que voltou a engordar, siga seu tratamento, e, depois de alcançado o resultado desejado, siga durante 2 anos com a ajuda de medicação.
Sua medicação nessa fase, será bem mais leve, muito mais fácil de ser usada e as consultas serão mais espaçadas. Mas, o mais importante, é ter a consciência de que o seu organismo não está pronto para impor resistência ao ganho de peso sem a ajuda de medicação por no mínimo 2 anos.
Nessa fase a integração social é mais ampla, você pode fazer alguns excessos, porém sempre socialmente. Em casa (onde nós engordamos realmente) siga se cuidando. Não se descuide do exercício, pois se você der vazão ao desânimo e parar, fica muito difícil recomeçar. Não pare! Siga em frente.
E, uma recomendação final: Estando magro lembre-se dessa frase como máxima de humildade: “Eu estou magro, mas eu sou um obeso”.
Após o médico dizer essas palavras, fiquei meditando como todas as vezes que tentei a manutenção eu não consegui obter sucesso. Como um clarão, eu percebi que em todos esses anos ninguém havia me dito que eu deveria tomar remédios na fase de manutenção por tempo prolongado. Eu ainda estava pensando em todas essas coisas quando o médico me interrompeu:
– Olga, irei adiantar um segredo que procuro deixar apenas para aquelas pessoas que atingem os dois anos de manutenção de peso: muitas delas necessitarão utilizar a medicação para sempre. Não conseguem modificar seus hábitos de vida a tal ponto que possam viver magras sem a ajuda de algo que viabilize suas vidas agitadas com o corpo magro. Não querem largar seus hábitos de vida desregrados e agitados. Portanto, para essas pessoas, o remédio tem que fazer o “trabalho” que elas não podem fazer. O que mais me entristece é que, geralmente, são essas pessoas agitadas e presas ao seu dia-a-dia maluco que mais implicam com a idéia de ter que tomar medicação para sempre. Elas não entendem que são elas mesmas que procuram por isso.
– Entendo aonde o senhor quer chegar doutor. Eu lutei muito tempo com a idéia de ter que tomar remédios para o resto da vida. Mas daí eu cheguei à conclusão que, enquanto estiver cursando faculdade, fazendo plantões noturnos, trabalhando o dia todo e com filhos pequenos para criar, eu me inseri em uma situação que não permite que eu diminua o ritmo por ora. De modo que espero poder um dia diminuir esse meu ritmo e me desvincular mais do medicamento.
– A isso eu chamo de planejamento, Olga. Se você está consciente da situação a qual está inserida, fica fácil entender o que estou dizendo. Difícil é a hipocrisia das pessoas em não enxergarem que seus hábitos de vida é que necessitam ser modificados e não o médico ou o tratamento. Essas pessoas ficam achando tudo difícil no tratamento e, ao menor sinal de problemas, abandonam tudo e passam a criticar intensamente o tratamento, após terem recaído.
Essa palavra recaída me deixava nervosa, por isso pedi mais explicações:
– Fale-me um pouco mais da recaída, doutor.
CAPITULO 15

A recaída
Já passava mais de uma hora a consulta, porém o médico pacientemente respondeu minha pergunta.
– Certo Olga, explicarei a você como ocorre a recaída:
Após um período breve de alguns meses em emagrecimento o paciente obeso, agora magro, começa a viver uma nova realidade e, se não for trabalhada uma terapia comportamental, começa lentamente um processo de desânimo. Forças contrárias ao tratamento passam a ser valorizadas pelo paciente nessa fase. Exemplos disso são comentários negativos da família, pressão dos amigos para que você coma ou beba álcool, férias de verão, festas, distância geográfica do médico, problemas financeiros, excesso de trabalho, enfim, situações em que você se encontra frágil e despida da disciplina que exige a sua rotina diária. O paciente acha que pode se cuidar sozinho, mas, sem perceber começa a abandonar o médico, depois as caminhadas e por fim a própria dieta. Aquele período pequeno em que ele, sem tratamento, mantém seu peso serve de justificativa para ele não retornar ao médico… e, assim, a recaída está instalada. Alguns meses depois, com o paciente novamente obeso, o sentimento de culpa, o remorso e a depressão voltam e o paciente inicia o processo novamente de querer emagrecer. O principal objetivo do tratamento do paciente obeso é a aceitação do problema. Aceitar que o seu estilo de vida é que está lhe engordando. O paciente nega seu próprio corpo, não se aceita gordo e com isso, não aceita a sua realidade e passa a viver num mundo de sonhos, esperando uma solução mágica para seus problemas: Desde que essa solução não interfira no seu estilo de vida. Precisamos focalizar mais o controle da compulsão alimentar e o equilíbrio das vontades e necessidades do paciente do que somente emagrecer; caso contrário, ao emagrecer o paciente tem a sensação de objetivo cumprido e abandona o tratamento voltando a engordar.
É necessário informar ao paciente que a obesidade é uma doença lenta, progressiva e incurável, sendo imperativo um tratamento para a prevenção da recaída na etapa da manutenção do peso.
Por que voltamos a engordar após o término de um tratamento de emagrecer?

A meu ver, por dois motivos:
1º) O principal fator que leva o gordinho a procurar o médico é a questão estética. Diferente de outros problemas, a obesidade é uma questão “aparente” – que extravasa a privacidade do indivíduo que é confrontada por exigências estéticas, familiares, físicas (porque compromete a habilidade de realizar movimentos), sociais e, por fim, de saúde se o problema não for controlado a tempo de evitar as numerosas doenças bastante conhecidas decorrentes do excesso de peso.
Emagrecendo, o “novo magro” encontra a paz em muitos setores de sua vida; sua saúde melhora, sente-se mais ágil, pára de receber críticas a respeito de sua aparência inestética e sua auto-estima cresce de modo que, ao assumir a aparência de magro, o gordo sente que alcançou seu objetivo e pensa que, enfim, poderá retornar à vida “normal”.
Ele, então, volta a engordar…
A vida normal do gordo, porém, não é a vida normal de uma pessoa magra que nunca encontrou problemas em controlar peso. O magro não sofre de uma doença como ele. O “novo” magro continua a sofrer com a compulsão alimentar, a ansiedade incontrolável que busca na comida a fonte de satisfação de seu dia. Portanto, é justamente à noite, ao chegar a casa, lugar de relaxamento que ele, extenuado de sua rotina diária, sente-se incapaz de controlar a sua doença: a ansiedade voraz por comida que é a compulsão alimentar. O gordo sente-se impelido a ingerir farináceos e doces ( alimentos de fácil digestão) para que a sua satisfação se faça mais rápida.
Essa doença compulsiva que leva uma pessoa comer de forma exagerada carboidratos é o que, em minha prática médica, costumo chamar de “o neurônio compulsivo do obeso”, responsável pela causa da doença restando, como conseqüência obesos com gorduras exageradas.
Ora, verifica-se que o objetivo que leva o obeso a procurar ajuda médica para emagrecer acaba por ser mal compreendido pelo paciente. O foco de atenção não deveria ser o controle adequado do peso! Embora esta seja a variável a ser controlada na medição do tratamento, mas sim o foco de atenção deveria ser o controle do neurônio compulsivo – causa e detonador do comer compulsivo.
De modo que, ao perder a barriga e a gordura localizada, o paciente tem a falsa impressão de que o tratamento está acabado e alcançou seu objetivo.
Mas, por outro lado, ao se atingir o peso ideal as pessoas não entendem que o momento de se parar a medicação NÃO é logo em seguida ao se atingir o emagrecimento, mas sim 2 anos após o emagrecimento porque o organismo necessita 2 anos para esquecer o peso de gordo e gravar o peso de magro. Sem isso é quase impossível obtermos sucesso a longo prazo num programa de emagrecimento. O corpo precisa desse tempo para obter sucesso e permanecer magro a longo prazo. Portanto, se você quiser permanecer magro a longo prazo se proponha desde o início do tratamento a fazer manutenção medicamentosa por 2 anos caso contrário você não obterá sucesso e tudo será em vão.
Então pergunto: pode o neurônio compulsivo ser considerado curado?
A resposta é: curado não, controlado sim. De modo que se necessita fazer uso de medicação sempre.
2º) Sendo a obesidade parte das doenças compulsivas como álcool, drogas, tabaco, jogo, etc., ela é mais difícil de ser tratada, pois o objeto de desejo do obeso é o carboidrato (que não é droga) que não pode ser eliminado totalmente como o álcool, drogas, tabaco, etc. Daí a grande dificuldade de tratamento, pois ao não poder eliminar totalmente o carboidrato ( a “droga” do obeso viciado) – como mandá-lo comer, mas comer “pouquinho”? Seria a mesma coisa que dizer a um alcoólatra beber, mas beber “pouquinho”… Um viciado em crack fumar, mas fumar “pouquinho”…
Essa é a verdadeira angústia pela qual padece a esmagadora maioria dos obesos. E assim, a sociedade os recrimina, sem compaixão, dizendo coisas como: “vais criar vergonha na cara e feche a sua boca!” ou o profissional de saúde fica frustrado quando o paciente obeso retorna ao consultório 2 kg mais gordo por não haver conseguido executar sua “brilhante” dieta de 1200 kcal somente com força de vontade e exercícios. É quase impossível para um obeso compulsivo executar dietas sem ajuda medicamentosa.
Assim, em nossa experiência, temos notado que uma forma promissora de manter a obesidade controlada em seus aspectos compulsivos é com o auxilio de medicamentos como base da terapia e restrição de carboidratos após as 14 horas permitindo ao paciente manter um peso estável, livre de compulsões, adequação social, integração familiar com uma vida plena e feliz.
A complementação com exercícios físicos sempre será bem vinda se a agenda do paciente assim o permitir. Porém, a terapia medicamentosa e a restrição ao carboidrato após as 14 horas deverão ser a base da terapia em longo prazo, pois são factíveis para todos os pacientes, sem exceções.
Outro aspecto a ser salientado é o realce que foi dado à necessidade de medicamento na terapia ao obeso compulsivo a longo prazo. No entanto não falamos de propósito, em nenhum nome medicamento. Por quê? Pelo simples fato de que, até o presente momento não haver nenhum medicamento que seja o ideal, ou que preencha todas as condições ideais: ausência de efeitos colaterais, diminuírem a compulsão, tirar a fome, queimar a gordura, uso a longo prazo, etc.… Estamos longe disso. No entanto, ruim com o que temos, pior sem essas alternativas. Assim seguimos esperando dias melhores e aguardando os avanços da medicina e dos cientistas.
Os pacientes que com mais facilidade se mantém magros são aqueles que perderam grandes quantidades de peso (20 kg ou mais), pois foram os que mais sofreram com as angústias da obesidade e observaram uma melhora do seu estilo de vida mais significativa. Os pacientes que perdem até 6 kg, aproximadamente, apresentam mais recaídas de comportamento, pois, estão ainda na fase inicial da doença e a negação do problema é maior. Suas vidas não foram afetadas de forma tão dramática pela obesidade como para os grandes obesos. Não sofreram bastante a ponto de desejarem sinceramente mudar de vida.
Por fim, nós profissionais também temos que admitir a nossa impotência perante a obesidade e aceitá-la como uma doença poderosa e passível apenas de controle, e não de cura. E, como esse controle depende principalmente do paciente, ao depararmo-nos com a recaída deste, nossa onipotência como médicos sofre e nos sentimos derrotados. Devido a isto, precisamos também de ajuda para lidarmos com essa doença e, desta forma, ajudarmos mais aquele paciente que volta ao nosso consultório novamente obeso.
– Creio que por hoje é só Olga. Necessitaremos mais alguns encontros para podermos equacionar todo o seu problema. Retorne na próxima semana que continuaremos nossa consulta, encerrando sua fala. Não esqueça que: observando atentamente minhas orientações de não ingerir grãos, farinhas ou açúcar (a famosa “GAF”), e tomando corretamente a medicação você irá perder quatro a seis quilos de peso ao mês.
– Ok, doutor. Veremo-nos na próxima semana.
Após a despedida, marquei com a secretária a data do retorno e fui para a casa. Não havia notado que havia se passado tanto tempo. O tempo voou e nem senti.
Era noite quando cheguei à minha casa.
CAPÍTULO 16
A pressão da família

No outro dia, levantei bem cedo e disposta. Sabia que estava iniciando minha dieta, porém, as mudanças que estavam ocorrendo em meu pensamento e em minhas atitudes já se faziam notar.
Arrumei as crianças para irem ao colégio, tomei café com meu marido e expliquei-lhe tudo o que havia acontecido. Um pouco desconfiado ele disse:
– Você não vai tomar aqueles remédios com veneno de rato de novo, vai?
– É claro que não, Paulo! Dessa vez é diferente. Esse médico realmente sabe o que está falando. Ele é responsável e a medicação que ele me deu é totalmente legal, respondi.
– Não sei, não… Mas você não irá emagrecer muito, né? Perguntou um tanto quanto desconfiado.
– O médico me falou que eu não devo seguir as tabelas que deixam a gente muito magra.
– Ok! Vamos torcer que dê certo dessa vez.
– Se Deus quiser e com meu esforço pessoal eu conseguirei Paulo, você irá ver.
Após deixar as crianças na escola fui para meu trabalho confiante. Lembrei das palavras do médico a respeito de não falar nada a respeito de meu tratamento para minhas amigas.
Às 10 horas eu tomei meu remédio. Senti um pouco de sede. Nada mais do que isso. Na hora do almoço eu comi arroz, feijão, bife, salada verde e sobremesa. Tomei refrigerante light. À tarde eu lanchei uma maçã, não acompanhando minhas colegas que trouxeram bolachas para o lanche. À noite, fui à faculdade e comí uma barrinha de cereal. Ao chegar a casa a surpresa:
Paulo havia encomendado uma pizza para nós. Compreendi o que o médico havia me falado a respeito do marido, inconscientemente tentar transgredir meu regime. Meu marido não me quer mais bonita por insegurança e ciúme. Delicadamente eu agradeci a pizza e disse-lhe que estava de dieta e que na fase de manutenção eu o acompanharia. Fiz uma salada de frutas, coloquei iogurte light e granola e me sentei com ele e as crianças para conversarmos.
CAPÍTULO 17

A próxima consulta

A semana passou rapidamente e, na segunda semana, comecei a tomar a medicação às 10 e 16 horas conforme o combinado sem problema algum.
No 15º dia retornei ao médico e tive uma agradável surpresa:
– Olga, parabéns! Você perdeu 3 quilos! Falou o médico de maneira exultante.
– Uau! É mesmo, doutor? Que alegria!
Após examinar-me, Dr. Delgado começou a falar:
– Então, fale-me como foi sua semana.
Contei ao médico sobre a adaptação à medicação. Falei que seguí o cardápio comendo livremente até o almoço, e, à noite comia a salada de frutas, iogurte e granola na primeira semana e sopa de verduras com frango nessa segunda semana. Contei a respeito da tentativa de boicote de meu marido me oferecendo pizza. Disse que não falei nada para minhas amigas e do quanto eu estava feliz em saber que eu estava emagrecendo.
Fiquei convencida que necessito praticar exercícios. Mas como praticá-los trabalhando o dia todo? Passar correndo em casa, atender um pouquinho as crianças, correr para a faculdade e chegar cansada depois das onze da noite? Quando muitas vezes ainda tenho que fazer plantões no hospital.
O desafio é grande e não irei me dar por vencida. Irei descer uma estação do ônibus antes de chegar ao trabalho e em casa, de modo a aumentar a prática da caminhada. Começarei a pegar o elevador no andar seguinte. Com o tempo subirei mais um, mais um e mais um… No fim de semana irei caminhar tanto no sábado quanto no domingo. Se chover, andarei de esteira. Essas serão as metas possíveis que seguirei. Irei prometer aquilo que posso cumprir.
O médico me parabenizou por todas minhas conquistas, orientou-me a respeito de algumas dúvidas e passou a me esclarecer sobre mais fatos novos:
– Olga, é importante que você se lembre de mais algumas recomendações. A granola ou aveia é para ser utilizada uma semana a cada mês. Muitas pessoas acham que por estar escrito que podem comer granola e aveia na dieta, as comem todas as noites. Quanto aos chamados alimentos light e diet utilize essa regra preciosa: todo líquido light ou diet você poderá utilizar em sua dieta, ao passo que, todo alimento sólido ou pastoso light ou diet (Pães, chocolates, sorvetes, etc.) você só poderá ingerir até o almoço. Outro fato importante é você se lembrar que chegará um ponto em que o emagrecimento se tornará mais difícil. Lembre-se sempre do quanto você já perdeu e nunca do quanto ainda falta para perder. Aprenda a saborear suas vitórias. Esta segunda consulta tem como objetivo avaliar sua adaptação ao remédio, adesão à dieta e incentivo ao exercício. Eu creio que você iniciou bem, portanto, nos veremos daqui a 30 dias.
Outro fato importante a ser salientado que aconteceu em nosso país: as anfetaminas foram proibidas e agora estamos utilizando o topiramato, a bupropiona, a sibutramina e a liraglutida e cada caso deve ser avaliado para serem indicadas. São medicamentos bastante seguros de ótima eficácia com os quais tenho alcançado ótimos resultados com meus pacientes. Você vai gostar.
Após toda essa explicação, o médico disse:
Dar-lhe-ei uma última recomendação: procure anotar em uma espécie de diário todos os seus problemas relativos à perda de peso para analisarmos na próxima consulta. Boa sorte, e parabéns novamente!
– Doutor, muito obrigada por tudo! Sem o senhor haver me pedido eu já estava anotando tudo em um diário.
– Gostei da idéia, Olga. Faça isso e me mostre na próxima consulta. Até logo!
– Até logo, doutor!
FIM

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O MOMENTO IDEAL DE EMAGRECER NEM SEMPRE É O QUE PENSAMOS

janeiro 16, 2017

obesidade

Dia desses atendi uma paciente em meu consultório que tinha realizado sua primeira consulta em novembro (2016). Estamos em janeiro (2017). A paciente pesava 75 quilos e gostaria de eliminar 15 quilos. Tinha parado de fumar há 3 meses. Sua idade era de 58 anos.

Ela morria de medo de tomar remédios de emagrecer…. Perguntei a ela se seria o momento ideal de emagrecer: Metabolismo lento pela idade, ansiedade pela falta do cigarro, festas de fim de ano se aproximando. Talvez, seria melhor esperar um pouco mais de tempo.

Mas não, ela estava decidida a eliminar seu peso a mais. Em 7 dias liguei a ela para saber da medicação, se havia sentido efeitos colaterais. Ela me segredou que pelo medo nem tinha mandado fazer as receitas. Solicitei um retorno ao consultório. Ela retornou e dei a metade da dose inicial.

Ela tomou e ficou brava porque não emagrecia na velocidade que ela imaginava que iria perder ( 4 quilos por semana!) . Tinha perdido 2 quilos em 15 dias. Como não apresentava efeitos colaterais expliquei que sua única saída para acelerar o processo seria tomar a medicação 2x/dia.

Mais 7 dias ligo para ela e a mesma me disse que ficou com medo de tomar 2x/dia e que continuava gorda. Pedi retorno, não compareceu. Liguei em 15 dias. Tinha engordado 2 quilos.

Compareceu ao retorno e pediu o dinheiro da consulta de volta. Expliquei que a consulta paga meus serviços e não os resultados. Não adiantou. Ela estava visivelmente transtornada. Para minimizar a tensão eu devolvi seu dinheiro e fiz ela assinar um  termo de nunca mais voltar a fazer consulta comigo.  Meu método não funcionava para ela.

Assim como ela, vários pacientes perdem a mãe ou o pai em menos de 60 dias e querem emagrecer. Terminam o casamento e querem emagrecer. Estão doentes e querem emagrecer. Enfim:  o emagrecimento serve para coroar uma vida bem sucedida e com auto estima alta e não o contrário…. ´E um presente que a pessoa se dá. Muitas vão escondidadas dos maridos ou filhos médicos ou nutricionistas.

Ao meu ver, essa estratégia não dá certo e a pessoa deveria ter os olhos bem abertos ANTES  de consultar um médico de emagrecer para sair DEPOIS da consulta com os ouvidos bem fechados.

Todos querem o emagrecimento, mas o emagrecimento não é para todos.

Pensem nisso e vamos em frente!